Esta página trata do comissionamento de relés de proteção em Araripina, centro do Polo Gesseiro do Araripe, onde fornos de calcinação, moinhos e britadores definem o comportamento elétrico da instalação.
Pickup, tempo medido e desvio registrados função a função, contra o estudo de ajustes.
Trip real, intertravamentos, falha de disjuntor e cada ponto do SCADA conferido.
Assinados por engenheiro eletricista com CREA ativo, especialista em SEP.
Por Eng. Raphael Leite Menezes Santos
Engenheiro Eletricista — Especialista em Sistema Elétrico de Potência
Tecnvolt Engenharia (Recife/PE)
Araripina é o núcleo do Polo Gesseiro do Araripe, responsável pela maior parte da produção nacional de gesso. A carga industrial da cidade é de mineração e transformação térmica: britagem, moagem, fornos de calcinação, transporte por correia e ensacamento. São acionamentos de alta inércia, ciclo de partida longo e operação em ambiente com poeira abrasiva permanente.
Esse ambiente castiga a instalação elétrica de um jeito específico. Poeira em isolador de cubículo, contato de trip oxidado, borne de TC frouxo por vibração e ajuste de sobrecarga afrouxado ao longo dos anos para parar de desarmar. Nenhum desses defeitos aparece na inspeção visual. Aparecem no ensaio, ou aparecem no incêndio do painel. Esta página descreve o escopo aplicado em Araripina, as funções que pesam em acionamento de alta inércia e a logística real de atendimento, dita sem eufemismo sobre distância.
Engenheiros e coordenadores de manutenção elétrica, gestores de confiabilidade e de ativos, equipes de O&M de indústrias, concessionárias, geradoras e autoprodutores, integradores e construtoras responsáveis por entregar subestação nova ou retrofit — e quem precisa avaliar se o relatório de comissionamento recebido de um terceiro realmente comprova o que diz comprovar.
Conteúdo técnico e comercial. Ensaios e intervenções em relés e circuitos de proteção devem ser realizados por equipe qualificada, com APR, permissão de trabalho, instrumentos calibrados e responsabilidade técnica registrada em ART, conforme a NR-10 e os procedimentos da instalação.
O comissionamento de relés de proteção é o conjunto de verificações que comprova que a proteção projetada é exatamente a proteção instalada: que ela enxerga a corrente certa, decide no tempo certo e abre o disjuntor certo. Um teste de relé verifica o IED isolado, na bancada — pickup, tempo, curva. O comissionamento verifica a cadeia completa: TC e TP → fiação → IED → circuito de trip → bobina de abertura → disjuntor → sinalização → supervisório.
A diferença não é semântica. Um relé pode passar em 100% da injeção secundária e a instalação continuar desprotegida, porque o fio de trip foi para o cubículo vizinho, porque a relação de TC parametrizada não é a instalada, ou porque a função existe no relé e ninguém a mapeou na matriz de trip. Esses defeitos não aparecem no ensaio do relé. Aparecem no comissionamento — ou na falta real.
A referência prática separa dois regimes. O ensaio de aceitação (ANSI/NETA ATS) vale para instalação nova, ampliação e retrofit: é feito antes da energização, cobre 100% das funções habilitadas e exige valores medidos contra o projeto. O ensaio de manutenção (ANSI/NETA MTS) é o periódico da instalação em operação: parte de uma linha de base já conhecida e foca na deriva, na integridade do circuito de trip e na revalidação dos ajustes após mudanças na rede.
Chamar de comissionamento um ensaio de manutenção — ou aceitar um relatório de manutenção como comprovação de comissionamento — é a origem mais comum de pendência em auditoria e em vistoria da concessionária.
Comissionamento sem documento de referência vira conferência de números arbitrários. Antes do campo é preciso ter em mãos:
Quando o estudo não existe, ou está desatualizado em relação à instalação real, a Tecnvolt executa o estudo de proteção antes do comissionamento. Não é venda casada: é a única forma de o ensaio ter contra o que ser comparado. Esse encadeamento faz parte do escopo maior de SPCS — Sistema de Proteção, Controle e Supervisão.
A ordem importa. Cada etapa só faz sentido se a anterior fechou, porque cada uma elimina uma classe de erro que a seguinte não conseguiria enxergar.
Comparar, campo a campo, o arquivo carregado no IED com a tabela do estudo: relação de TC e TP, tap, curva selecionada (IEC ou IEEE, Normalmente / Muito / Extremamente Inversa), pickup, TMS ou dial, tempo definido, temporizações de retaguarda, bloqueios, funções habilitadas e qual grupo de ajustes está ativo. Registrar versão de firmware e identificação do arquivo. Divergência encontrada aqui custa minutos; encontrada na energização, custa a janela de parada.
Com mala de teste trifásica, função por função, medindo e registrando o valor — nunca apenas “conforme”:

Tolerância típica de aceitação: ±5% na corrente de pickup e ±5% ou ±30 ms no tempo, prevalecendo o maior. O relatório registra valor de projeto, valor medido, desvio e veredito.
Relação efetiva, polaridade, resistência do enrolamento secundário, curva de saturação com determinação do joelho, resistência do circuito e carga (burden) real conectada. É nesta etapa que aparecem o TC com relação diferente da placa, o secundário aberto, o enrolamento de medição usado indevidamente para proteção e a polaridade invertida que inverte a direcionalidade do 67 sem alterar nenhum valor de módulo.
É a única verificação que fecha o laço do primário do TC até o relé passando pela fiação real da instalação. Confirma relação efetiva, polaridade e ausência de derivação, jumper ou aterramento esquecido no secundário. Em proteção diferencial a injeção primária é o que prova a estabilidade: com falta externa simulada, a corrente diferencial vista pelo relé tem de permanecer abaixo do ajuste mínimo. Sem esse ensaio, um 87T com uma fase invertida passa por perfeito até a primeira energização.
Cada função dispara o disjuntor que o projeto determina — e apenas ele. Verifica-se abertura real por atuação de cada função, bloqueio de religamento e relé de bloqueio (86 / 94 lockout), disparo do 50BF na retaguarda correta, intertravamentos de manobra, supervisão da bobina de abertura (74 / TCS) e o tempo total medido entre a atuação da função e a separação dos contatos do disjuntor. Esse tempo é o que o estudo de seletividade assumiu; se na prática ele for maior, a coordenação calculada não existe.
Em subestação digital: importação do SCD, conferência dos arquivos CID de cada IED, verificação das mensagens GOOSE publicadas e efetivamente assinadas, medição do tempo de transferência e ensaio do comportamento na perda do publicador (bit de qualidade e de simulação). Em seguida a subida para o supervisório por MMS, DNP3 ou Modbus: cada alarme, cada estado e cada medida chegando com a tag correta e a escala correta. Por fim o sincronismo de tempo (SNTP ou PTP) — sem base de tempo comum, a oscilografia de um evento não pode ser correlacionada entre vãos e perde a função de análise.
Checklist de pré-energização, conferência de sequência de fase, verificação de sincronismo (25) quando houver paralelismo e — com a instalação já energizada — leitura de corrente, tensão e fasores diretamente no IED, para confirmar que o que o relé mede é o que a instalação tem. Coleta da oscilografia de energização em COMTRADE como linha de base para todas as análises futuras.
A lista abaixo não é teórica. São modos de falha recorrentes em comissionamento de relés de proteção, e todos passam despercebidos por um ensaio de bancada:
Esse pacote é o que sustenta a instalação em auditoria, em vistoria da concessionária, em análise de sinistro e na próxima intervenção — quando outra equipe precisar saber por que o ajuste é aquele.

As calcinadoras e unidades de beneficiamento de gesso operam com motores de média e grande potência acionando britadores, moinhos e ventiladores de exaustão, além de fornos com sistemas de aquecimento e transporte pneumático. A inércia da carga é alta, o que produz tempo de partida longo e corrente elevada por vários segundos. Muitas unidades ficam no fim de alimentadores rurais extensos, onde a tensão de barramento cai durante a partida do maior motor. Há forte uso de correção de fator de potência por banco de capacitores, o que introduz transitórios de chaveamento e risco de ressonância com o conteúdo harmônico dos acionamentos.
O eixo é proteção de motor de partida longa e discriminação entre partida normal e falha mecânica.
O ensaio de TC e TP é obrigatório nesse ambiente. Poeira e vibração degradam conexões secundárias, e um circuito de TC com contato ruim altera burden e provoca saturação prematura, atrasando o trip exatamente na falta de maior energia.
As unidades consumidoras da região são atendidas pela Neoenergia Pernambuco, e a conexão em média tensão segue o PRODIST, com análise de projeto, ajuste da proteção geral e vistoria. O polo gesseiro tem histórico de fiscalização intensa sobre medição e regularidade de consumo, o que torna a documentação da entrada um item sensível. Auditoria e seguradora pedem estudo de curto-circuito e seletividade, planilha de parametrização assinada, relatórios de injeção secundária e primária, ensaios de TC e TP, evidência de trip por circuito e ART do CREA.
A Tecnvolt tem sede em Recife, no mesmo estado, o que simplifica contrato e documentação. Ainda assim, é honesto dizer que Araripina fica a centenas de quilômetros da capital, no extremo oeste do sertão: não temos base nem equipe fixa no interior. A equipe é mobilizada para a obra. Estudo de curto-circuito e seletividade, conferência de parametrização e plano de ensaio são feitos antes do deslocamento, com dados de placa dos motores, unifilar e curvas de acionamento.
Esse modelo serve para parada programada, obra nova, retrofit de painéis e recomissionamento, com escopo e janela fechados com antecedência. Não serve para atendimento emergencial no mesmo dia.
O comissionamento de relés em Araripina é executado dentro do escopo de comissionamento de relés de proteção da Tecnvolt Engenharia, ao lado do estudo de curto-circuito e seletividade, dos ensaios de relé periódicos, da integração IEC 61850 e do SPCS e da análise de oscilografia, com relatório por vão e ART.
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A Tecnvolt Engenharia é certificada nas normas ISO 9001, ISO 14001 e ISO 45001
Plantas químicas, alimentícias, metalúrgicas, mineração e petroquímica.
SPCS da subestação elevadora e proteção do ponto de conexão.
Redes de distribuição MT e subestações dedicadas.
Adequação elétrica e diagnóstico em obras de grande porte.
Continuidade operacional crítica em SE dedicadas.
Operação 24/7, proteção de entrada e seletividade em ambiente agressivo.
Perguntas Frequentes
Não é. Aumentar ajuste até parar de desarmar é a forma mais comum de desproteger um motor sem perceber. Cada aumento afasta a curva de proteção da curva de dano térmico, e chega um ponto em que rotor bloqueado deixa de ser detectado a tempo. O motor continua funcionando, mas passa a operar sem cobertura na condição que mais o destrói.
O caminho correto é medir. O comissionamento levanta corrente e tempo de partida reais do moinho, compara com a curva de dano do fabricante e reajusta 48/51LR e 49 dentro da faixa em que ainda existe proteção efetiva. Se não houver faixa viável, o relatório aponta a causa física, que costuma ser queda de tensão excessiva na partida por alimentador longo ou dimensionamento inadequado do acionamento. Isso é informação para decidir, não ajuste às cegas.
O teste de relé verifica o IED isolado — pickup, curva e tempo por injeção secundária. O comissionamento verifica a cadeia inteira: TC e TP, fiação, IED, matriz de trip, bobina de abertura, disjuntor, sinalização e supervisório. Um relé pode passar em todos os testes e a instalação continuar desprotegida se o fio de trip estiver no cubículo errado ou se a relação de TC parametrizada não for a instalada.
A injeção secundária comprova o comportamento do relé; ela não comprova o que chega até ele. Só a injeção primária fecha o laço do primário do TC até o IED passando pela fiação real, confirmando relação efetiva, polaridade e ausência de derivação esquecida. Em proteção diferencial (87T, 87B) ela é indispensável: é o ensaio que prova a estabilidade em falta externa. Em comissionamento de aceitação a Tecnvolt executa as duas.
Depende do escopo. Um vão de alimentador com 50/51 e 50N/51N, matriz de trip simples e sem injeção primária costuma ser concluído dentro de um turno. Um vão de transformador com 87T, verificação de TCs, injeção primária e integração IEC 61850 normalmente ocupa de um a dois dias. O cronograma é fechado antes da mobilização, a partir do unifilar e da lista de vãos, para caber na janela de parada contratada.
Sim. O comissionamento é feito por função ANSI e por critério de aceitação, não por marca. A Tecnvolt trabalha com IEDs multifunção das principais fabricantes do mercado (SEL, Schneider, Siemens, ABB, GE, Pextron, entre outras), usando o software do próprio fabricante para leitura, conferência e versionamento do arquivo de parametrização.
Não de forma útil. Sem o estudo não existe valor de referência: o ensaio passa a apenas confirmar que o relé reproduz o número que alguém digitou nele, sem qualquer garantia de que esse número protege o equipamento e coordena com a retaguarda. Quando o estudo não existe ou está desatualizado, a Tecnvolt executa o estudo de proteção e seletividade antes do comissionamento e entrega o coordenograma as-built junto do relatório.
Sim. O escopo inclui importação e conferência do SCD, validação dos arquivos CID por IED, verificação das mensagens GOOSE publicadas e efetivamente assinadas, medição do tempo de transferência, ensaio do comportamento na perda do publicador e a subida dos dados ao supervisório por MMS, DNP3 ou Modbus — além do sincronismo de tempo por SNTP ou PTP, sem o qual a oscilografia não pode ser correlacionada entre vãos.
Parcialmente. Conferência documental, análise da parametrização, revisão da matriz de trip e verificação de comunicação e supervisório são feitas com a instalação em operação. Os ensaios de injeção, a verificação de TCs e o teste real de abertura do disjuntor exigem o vão desenergizado e isolado. Por isso o comissionamento é planejado por vão: a instalação nunca precisa parar inteira de uma vez.
Sim. O serviço é entregue com ART do CREA e relatório de comissionamento por vão, contendo valor de projeto, valor medido, desvio, tolerância e veredito por função, matriz de trip verificada, arquivos finais de parametrização versionados, oscilografias em COMTRADE e a lista de pendências classificada por criticidade.
Esta página sobre comissionamento de relés de proteção foi construída com base nas referências técnicas e normativas reconhecidas internacionalmente.