Em uma edificação comum, uma pequena faísca durante a descarga é indesejável; em um tanque de combustível ou uma área com atmosfera explosiva, é catastrófica. Onde há vapores inflamáveis, gases ou poeiras combustíveis, o SPDA deixa de ser apenas proteção patrimonial e passa a ser proteção de vidas e de uma planta inteira — porque o centelhamento que ele precisa evitar pode iniciar uma explosão. O projeto, nesses casos, é mais rigoroso e segue requisitos adicionais.
Neste artigo trato da proteção contra descargas em áreas classificadas e tanques: por que o risco é ampliado, as particularidades dos tanques metálicos e os cuidados construtivos que eliminam centelhamento e pontos quentes.
Por Raphael Leite Menezes Santos — Especialista em Sistema Elétrico de Potência · Tecnvolt Engenharia · Tempo de leitura: 14–18 min

Resumo técnico
Em áreas com atmosfera explosiva, o SPDA deve impedir centelhamento e aquecimento perigoso, pois uma faísca pode causar ignição. Tanques metálicos com costado de espessura mínima podem dispensar captores, mas exigem aterramento, equipotencialização do teto (incluindo teto flutuante) e atenção às juntas. Privilegia-se o SPDA isolado ou a distância de separação adequada, conexões de alta integridade (soldadas) e inspeção mais frequente. Além da NBR 5419, aplicam-se normas de áreas Ex e exigências do corpo de bombeiros.Quero proteger uma área classificada contra raios
1. Por que o risco é ampliado
Em ambientes com vapores ou gases inflamáveis, a energia de ignição necessária é minúscula. O raio, mesmo sem incidência direta, gera centelhamento entre partes metálicas com diferentes potenciais e pode aquecer pontos de alta resistência. Em uma área classificada, qualquer um desses fenômenos pode iniciar a combustão. Por isso, o objetivo do SPDA aqui não é apenas conduzir a corrente, mas garantir que em nenhum ponto haja faísca ou aquecimento capaz de ignir a atmosfera.
2. Tanques metálicos
Tanques de armazenamento metálicos têm uma vantagem: o próprio costado, se tiver espessura mínima adequada, atua como captação natural e dispensa captores externos. Mas surgem cuidados específicos: o aterramento do tanque deve ser robusto; a equipotencialização do teto é crítica — especialmente em tanques de teto flutuante, onde o contato elétrico entre teto e costado deve ser garantido por dispositivos próprios (shunts/sapatas); e as juntas, flanges e tubulações precisam de continuidade comprovada, pois uma junta resistiva é um ponto potencial de faísca.
3. Cuidados construtivos

Os pilares do projeto em áreas classificadas são: eliminar o centelhamento (conexões soldadas ou de alta integridade, sem faísca em juntas durante a descarga); manter a distância de separação ou adotar SPDA isolado em torno das zonas de risco; aterramento de baixa impedância com equipotencialização de todas as partes metálicas; e inspeção mais frequente, dada a criticidade e a corrosão típica desses ambientes.
Boa prática
Mapeie as zonas classificadas e mantenha captação e descidas fora delas (SPDA isolado) ou com distância de separação garantida. Use conexões soldadas onde houver risco de faísca. Equipotencialize tudo — tanque, tubulações, escadas, plataformas — e verifique a continuidade das juntas. Reduza a periodicidade de inspeção.
Aviso técnico
Em áreas com atmosfera explosiva, o SPDA segue, além da NBR 5419, normas específicas de áreas classificadas (série de proteção Ex) e exigências do corpo de bombeiros e órgãos ambientais. Intervenções exigem permissão de trabalho, controle de fontes de ignição e equipe qualificada.
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Como a Tecnvolt Engenharia executa esse serviço
A Tecnvolt Engenharia projeta SPDA para áreas classificadas e tanques com o rigor exigido: mapeamento das zonas de risco, SPDA isolado ou distância de separação garantida, conexões de alta integridade, equipotencialização completa (incluindo tetos flutuantes) e aterramento robusto, com inspeção em periodicidade reduzida. Integramos a NBR 5419 às normas de áreas Ex. Atendemos a região Nordeste.
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Perguntas frequentes
Por que o SPDA em área classificada é mais rigoroso?
Porque uma faísca, que em ambiente comum seria inofensiva, pode iniciar uma explosão onde há vapores, gases ou poeiras inflamáveis. O objetivo passa a ser eliminar qualquer centelhamento ou aquecimento capaz de ignir a atmosfera.
Um tanque metálico precisa de captores?
Nem sempre. Se o costado tiver espessura mínima adequada, ele atua como captação natural. Mas são obrigatórios o aterramento robusto, a equipotencialização do teto (sobretudo em teto flutuante) e a continuidade comprovada das juntas e tubulações.
Por que preferir SPDA isolado nesses casos?
Para garantir que não haja centelhamento entre o SPDA e as partes da instalação na zona de risco. Mantendo a distância de separação (sistema isolado), a descarga é conduzida sem faíscas próximas à atmosfera explosiva.
A NBR 5419 é suficiente para áreas explosivas?
Não isoladamente. Aplicam-se, além dela, as normas de áreas classificadas (proteção Ex) e as exigências do corpo de bombeiros e órgãos ambientais. O projeto deve integrar todas essas exigências.
Referências técnicas
- ABNT NBR 5419-3 — Danos físicos a estruturas (estruturas com risco de explosão).
- IEC 62305-3, Anexo D — Structures with risk of explosion.
- Normas de áreas classificadas (série ABNT NBR IEC 60079 — atmosferas explosivas).
- Exigências do corpo de bombeiros e normas de armazenamento de inflamáveis aplicáveis.
As normas são citadas pelo escopo. Confirme sempre a edição vigente e as exigências locais antes de aplicar critérios.
