
A relação e a curva de saturação contam parte da história de um TC; a outra parte está na resistência do enrolamento secundário e na carga (burden) que ele alimenta. Esses dois parâmetros, muitas vezes negligenciados, afetam diretamente a exatidão da medição e o ponto em que o TC satura — e, portanto, a confiabilidade da proteção. O CPC 100 os mede de forma rápida e integrada aos demais ensaios de TC.
Neste artigo explico o que são a resistência do secundário e o burden, como o CPC 100 os mede e por que importam.
Por Raphael Leite Menezes Santos — Especialista em Sistema Elétrico de Potência · Tecnvolt Engenharia · Tempo de leitura: 12–16 min

Resumo técnico
A resistência do enrolamento secundário (medida em CC) reflete o estado dos condutores e conexões; valores elevados indicam problemas. A carga (burden) é a impedância total que o secundário alimenta (relés, medidores, cabos), e deve estar dentro da prevista para a classe do TC. Burden excessivo antecipa a saturação e degrada a exatidão. O CPC 100 mede ambos e os relaciona ao comportamento do TC, comparando com a placa e o projeto do circuito secundário.Quero medir resistência e burden dos meus TCs
1. Resistência do secundário
A resistência do enrolamento secundário é medida injetando corrente contínua e lendo a queda de tensão (método de quatro fios, que elimina a resistência dos cabos). Ela compõe a ‘tensão interna’ que o TC precisa vencer para entregar corrente à carga — quanto maior a resistência, mais cedo o TC tende a saturar e maior o erro. Resistência acima do esperado denuncia conexões frouxas, enrolamento danificado ou contato ruim.
2. Carga (burden)
O burden é a impedância total conectada ao secundário: a soma dos relés, medidores e, principalmente, da resistência dos cabos de interligação até o painel. O TC é especificado para uma carga nominal (em VA ou ohms) dentro da qual mantém sua classe de exatidão. Se a carga real for maior — por exemplo, cabos longos de seção insuficiente —, o TC opera fora da classe, com mais erro e saturação prematura.

3. O efeito conjunto na proteção
Resistência do secundário e burden somam-se na tensão que o TC precisa desenvolver para alimentar a carga durante uma falta. Se a soma for alta demais frente à capacidade do núcleo (curva de saturação), o TC satura e a proteção é prejudicada. Por isso, esses três ensaios — relação, saturação e resistência/burden — são complementares: juntos, dizem se o TC realmente cumprirá seu papel no circuito real.
Boa prática
Meça a resistência do secundário e avalie o burden real (incluindo os cabos) no comissionamento. Compare com a placa e o projeto. Cabos longos de seção insuficiente são causa comum de burden excessivo — às vezes a solução é aumentar a seção do cabo, não trocar o TC.
Aviso técnico
A medição é feita com o circuito desenergizado, isolado e aterrado. Para medir a resistência isolada do enrolamento, desconecta-se a carga; para avaliar o burden real, considera-se o circuito como instalado. Nunca deixe o secundário do TC aberto sob energização.
Pedir ensaio de resistência e burden de TC
Como a Tecnvolt Engenharia utiliza o CPC 100
A Tecnvolt Engenharia mede a resistência do secundário e avalia o burden dos TCs com o CPC 100, relacionando-os à curva de saturação e à classe do TC, e comparando com a placa e o projeto do circuito secundário. Indicamos correções (cabeamento, conexões) quando o burden excede o previsto. Atendemos a região Nordeste.
Falar com a Tecnvolt sobre exatidão de TCs
Perguntas frequentes
O que é o burden de um TC?
É a impedância total que o secundário do TC alimenta — relés, medidores e a resistência dos cabos de interligação. O TC mantém sua classe de exatidão dentro de uma carga nominal; burden acima disso causa mais erro e saturação prematura.
Por que medir a resistência do secundário?
Porque ela compõe a tensão que o TC precisa vencer para alimentar a carga e afeta o ponto de saturação. Resistência elevada indica conexões frouxas, enrolamento danificado ou contato ruim, e degrada a exatidão.
Burden alto pode ser resolvido sem trocar o TC?
Muitas vezes sim. Como boa parte do burden vem da resistência dos cabos, aumentar a seção do cabeamento secundário pode trazer o burden para dentro do previsto, sem necessidade de substituir o TC.
Esses ensaios substituem a relação e a saturação?
Não — são complementares. Relação, saturação e resistência/burden, juntos, indicam se o TC cumprirá seu papel no circuito real, tanto em medição quanto em proteção.
Referências técnicas
- IEC 61869-2 — Additional requirements for current transformers (carga e exatidão).
- IEEE C57.13 — Requirements for Instrument Transformers.
- OMICRON — documentação técnica pública do CPC 100 (resistência e burden de TC).
As normas e marcas são citadas para fins técnicos e educativos. Confirme a edição vigente na fonte oficial.
