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Equipe da Tecnvolt em comissionamento de subestação com o CPC 100 da OMICRON
Equipe da Tecnvolt Engenharia em campo com o CPC 100 da OMICRON (maletas amarelas) durante comissionamento de subestação.

Depois de uma medição de resistência por corrente contínua, ou após uma interrupção brusca, o núcleo de um TC ou de um transformador pode ficar com magnetismo residual — um fluxo ‘preso’ que não some sozinho. Esse magnetismo distorce ensaios posteriores e pode até fazer um TC saturar logo na energização, comprometendo a proteção. A desmagnetização elimina esse fluxo residual, e o CPC 100 a executa de forma automática ao final dos ensaios CC.

Neste artigo explico o que é o magnetismo residual, por que ele atrapalha e como o CPC 100 desmagnetiza o núcleo.

Por Raphael Leite Menezes Santos — Especialista em Sistema Elétrico de Potência · Tecnvolt Engenharia · Tempo de leitura: 11–15 min

Desmagnetização de núcleo com campo alternado decrescente.
A desmagnetização aplica um campo alternado de amplitude decrescente até zerar o magnetismo remanescente do núcleo.

Resumo técnico

Ensaios com corrente contínua e interrupções de corrente deixam fluxo residual no núcleo ferromagnético. Esse magnetismo remanescente distorce a corrente de excitação, a relação medida e pode antecipar a saturação de TCs na energização. A desmagnetização aplica um campo magnético alternado de amplitude decrescente, percorrendo laços de histerese cada vez menores até zerar o fluxo residual. O CPC 100 faz isso automaticamente; deve ser executada após ensaios CC e antes de reenergizar.

Quero desmagnetizar o núcleo após os ensaios

1. De onde vem o magnetismo residual

O núcleo ferromagnético ‘lembra’ do último estado magnético — é a histerese. Quando se injeta corrente contínua (na medição de resistência) e depois se interrompe, o núcleo permanece magnetizado em um ponto da curva de histerese, com fluxo residual. O mesmo ocorre quando um transformador é desenergizado em um instante desfavorável da onda. Esse fluxo preso não se dissipa sozinho.

2. Por que ele atrapalha

Por que desmagnetizar: origem, efeito, solução e quando.
Magnetismo residual distorce a corrente de excitação, a relação e pode saturar TCs na energização.

O magnetismo residual desloca o ponto de operação do núcleo. Em um ensaio, isso distorce a corrente de excitação e a relação medida, gerando resultados não confiáveis. Em operação, um TC com fluxo residual pode saturar logo na energização (a corrente de inrush combinada com o residual leva o núcleo à saturação), fazendo a proteção ‘ver’ uma corrente distorcida — potencialmente uma atuação indevida. Por isso, deixar o núcleo magnetizado após um ensaio é um erro.

3. Como o CPC 100 desmagnetiza

A desmagnetização aplica um campo alternado cuja amplitude decresce gradualmente. A cada ciclo, o núcleo percorre um laço de histerese um pouco menor, espiralando em direção à origem, até que o fluxo residual seja praticamente eliminado. O CPC 100 executa esse procedimento automaticamente ao final dos ensaios que magnetizam o núcleo, deixando-o em estado neutro e pronto para reenergização.

Boa prática

Sempre desmagnetize o núcleo após ensaios de resistência CC e de saturação, e antes de reenergizar TCs e transformadores. Inclua a desmagnetização como etapa padrão no procedimento de campo — é rápida e evita tanto resultados de ensaio distorcidos quanto atuações indevidas na energização.

Aviso técnico

Energizar um TC ou transformador com magnetismo residual elevado pode provocar correntes de inrush e saturação que confundem a proteção. A desmagnetização é uma etapa de segurança operacional, não apenas de qualidade de ensaio. Procedimento executado com o equipamento desenergizado e aterrado (NR-10).

Pedir desmagnetização de núcleo

Como a Tecnvolt Engenharia utiliza o CPC 100

A Tecnvolt Engenharia inclui a desmagnetização como etapa padrão após os ensaios CC (resistência, saturação) com o CPC 100, deixando o núcleo neutro antes da reenergização — evitando tanto resultados distorcidos quanto saturação indevida na energização. Atendemos a região Nordeste.

Falar com a Tecnvolt sobre ensaios e desmagnetização

Perguntas frequentes

O que causa o magnetismo residual no núcleo?

Ensaios com corrente contínua (resistência) e interrupções bruscas de corrente deixam o núcleo magnetizado em um ponto da curva de histerese, com fluxo residual que não se dissipa sozinho.

Por que o magnetismo residual é um problema?

Ele distorce a corrente de excitação e a relação em ensaios, e em operação pode fazer um TC saturar na energização, levando a proteção a ‘ver’ uma corrente distorcida e atuar indevidamente.

Como o CPC 100 desmagnetiza?

Aplicando um campo alternado de amplitude decrescente: a cada ciclo o núcleo percorre um laço de histerese menor, até o fluxo residual ser praticamente eliminado. É automático ao final dos ensaios CC.

Quando devo desmagnetizar?

Sempre após ensaios de resistência CC e de saturação, e antes de reenergizar TCs e transformadores. É uma etapa rápida que deve ser padrão no procedimento de campo.

Referências técnicas

  1. IEEE C57.152 — Diagnostic Field Testing of Fluid-Filled Power Transformers.
  2. IEC 61869-2 — Current transformers (efeitos de magnetização residual).
  3. OMICRON — documentação técnica pública do CPC 100 (desmagnetização).

As normas e marcas são citadas para fins técnicos e educativos. Confirme a edição vigente na fonte oficial.