
A seccionadora não interrompe corrente de carga como o disjuntor, mas cumpre um papel que nenhum outro equipamento da subestação substitui: criar uma abertura visível e segura que garante ao profissional que o trecho está realmente isolado. É dela que depende boa parte da segurança das manobras e dos trabalhos de manutenção. Uma seccionadora mal mantida — que não fecha com firmeza ou cujo intertravamento falha — é um risco tanto para a operação quanto para quem trabalha na SE.
Neste artigo, sétimo da série sobre manutenção de SE 69 kV, detalho a função e os pontos críticos da seccionadora, a medição da resistência de contato e a manutenção do mecanismo, dos isoladores e da lâmina de aterramento.
Por Raphael Leite Menezes Santos — Especialista em Sistema Elétrico de Potência · Tecnvolt Engenharia · Tempo de leitura: 13–16 min
Resumo técnico
A seccionadora de 69 kV garante uma abertura visível para segurança e um contato firme quando fechada. Sua manutenção verifica três frentes: a resistência de contato (micro-ohms com a chave fechada, avaliando lâminas, garras, alinhamento e pressão, correlacionada com termografia); o mecanismo (lubrificação, articulações e intertravamento com o disjuntor); e os isoladores (limpeza e trincas) e a lâmina de aterramento com seu intertravamento. O objetivo é uma manobra segura e um caminho de corrente de baixa resistência. Confirme a edição vigente das normas.
Quero manutenção das seccionadoras da minha SE 69 kV
1. Função e pontos críticos
A seccionadora (ou chave seccionadora) é um equipamento de manobra sem capacidade de interromper corrente de carga ou de falta — ela é operada sem corrente, após o disjuntor já ter aberto o circuito. Seu valor está em duas qualidades complementares.

A primeira é a abertura visível: quando aberta, a seccionadora deixa uma distância de isolação que se enxerga a olho nu, dando ao profissional a certeza física de que o trecho está seccionado — base da segurança em qualquer intervenção. A segunda é o contato firme quando fechada: como ela conduz corrente nominal continuamente, qualquer folga ou degradação no contato gera aquecimento e ponto fraco no barramento. Os pontos críticos da manutenção, portanto, são exatamente esses: a integridade do contato fechado e a confiabilidade da abertura e do intertravamento.
2. Contatos e resistência

Com a seccionadora fechada, mede-se a resistência de contato em micro-ohms, pela mesma técnica de injeção de corrente contínua usada nos disjuntores. O alvo são as lâminas e garras que formam o contato: um valor elevado revela alinhamento incorreto, pressão de contato insuficiente, oxidação ou erosão das superfícies. Como a seccionadora costuma ficar exposta ao tempo, a degradação por intempérie é comum.
Tal como no disjuntor, essa medição se correlaciona com a termografia: um contato de seccionadora com resistência alta aparece como ponto quente sob carga. Quando a termografia flagra aquecimento em uma chave, a medição de resistência na parada confirma o defeito e orienta a correção — reajuste do alinhamento e da pressão, limpeza ou substituição das peças de contato.
3. Mecanismo, isoladores e aterramento
O mecanismo de operação exige lubrificação das partes móveis, verificação das articulações e, sobretudo, do intertravamento com o disjuntor — o dispositivo que impede que a seccionadora seja manobrada com o circuito energizado, evitando a abertura sob carga, que seria destrutiva e perigosa. Esse intertravamento é um item de segurança e deve ser testado, não apenas inspecionado.
Os isoladores que sustentam a chave recebem limpeza (depósitos salinos e poluição reduzem a isolação, sobretudo no Nordeste litorâneo) e inspeção de trincas. Por fim, muitas seccionadoras possuem uma lâmina de aterramento integrada, que aterra o trecho após o seccionamento: ela tem seu próprio intertravamento, que só permite aterrar com o circuito aberto e impede fechar a chave principal com o aterramento aplicado. Verificar esse intertravamento é essencial para a segurança das manobras.
Boa prática
Teste fisicamente os intertravamentos — entre seccionadora e disjuntor, e da lâmina de aterramento — em vez de apenas conferir visualmente. É o intertravamento que impede a manobra sob carga e o aterramento indevido; sua falha silenciosa só aparece no momento errado. Correlacione também a resistência de contato com a termografia da chave.
Aviso técnico
A operação e a manutenção de seccionadoras de 69 kV envolvem alta tensão e o risco grave de manobra sob carga. Os serviços só se executam com desenergização, bloqueio, teste de ausência de tensão e aterramento temporário, por profissional habilitado e autorizado com treinamento em Sistema Elétrico de Potência (SEP), conforme a NR-10. A seccionadora nunca deve ser operada para interromper corrente. Confirme a edição vigente das normas.
Falar com um especialista em seccionadoras de 69 kV
Como a Tecnvolt Engenharia executa esse serviço
A Tecnvolt Engenharia faz a manutenção de seccionadoras de 69 kV cobrindo as três frentes: mede a resistência de contato por injeção CC e a correlaciona com a termografia, revisa e lubrifica o mecanismo, testa os intertravamentos com o disjuntor e da lâmina de aterramento, e inspeciona e limpa os isoladores, consolidando tudo em laudo com ART. Atuamos em campo na região Nordeste, em subestações de indústrias, geração e concessionárias.
Solicitar manutenção de seccionadoras de 69 kV
Perguntas frequentes
Para que serve a seccionadora?
Para criar uma abertura visível e segura que isola um trecho da subestação, dando ao profissional a certeza física de que o circuito está seccionado. Ela é operada sem corrente, após o disjuntor abrir, e não tem capacidade de interromper corrente de carga ou de falta.
Por que medir resistência de contato da chave?
Porque a seccionadora conduz corrente nominal continuamente quando fechada, e contatos degradados (alinhamento, pressão, oxidação) elevam a resistência, geram aquecimento e enfraquecem o barramento. A medição em micro-ohms, correlacionada com termografia, revela o defeito.
Qual a importância do intertravamento?
É um item de segurança crítico. O intertravamento com o disjuntor impede manobrar a seccionadora sob carga, e o da lâmina de aterramento impede aterrar com o circuito energizado ou fechar a chave com o aterramento aplicado. Por isso deve ser testado, não só inspecionado.
O que inspecionar nos isoladores?
Limpeza (depósitos salinos e poluição reduzem a isolação, sobretudo no litoral nordestino) e a presença de trincas, lascas ou contornamentos. Isoladores sujos ou danificados comprometem a isolação que sustenta a seccionadora e a abertura visível.
Referências técnicas
- IEC 62271-102 — Seccionadoras e chaves de aterramento (disconnectors).
- NR-10 — Segurança em instalações e serviços em eletricidade (e SEP).
- Manual do fabricante da seccionadora — limites de resistência e ajustes.
As normas são citadas pelo escopo. Confirme sempre a edição vigente junto à fonte oficial e às exigências regulatórias do setor.
