O ensaio de relação de transformação — TTR, do inglês Transformer Turns Ratio — verifica se o transformador transforma a tensão na proporção correta. É um dos ensaios elétricos mais fundamentais: como a relação entre tensões é determinada pela razão entre o número de espiras dos enrolamentos, qualquer desvio entre a relação medida e a relação de placa denuncia problemas como espiras em curto, problemas de conexão, comutador mal posicionado ou erro de fabricação.
Neste artigo apresento o princípio do TTR, como o desvio percentual é calculado e interpretado, a relação do ensaio com a corrente de excitação medida simultaneamente por muitos instrumentos, e os erros comuns que levam a falsos diagnósticos — como posição incorreta do comutador ou ligação trifásica mal compreendida.
Por Raphael Leite Menezes Santos — Especialista em Sistema Elétrico de Potência · Tecnvolt Engenharia · Tempo de leitura: 13–17 min

Resumo técnico
A relação de transformação é a razão entre as tensões dos enrolamentos, igual à razão entre o número de espiras. O TTR aplica uma tensão conhecida em um enrolamento, mede a induzida no outro e compara a relação medida com a de placa. O desvio aceitável é tipicamente da ordem de 0,5%. Desvios maiores apontam para espiras em curto, conexões erradas ou problema no comutador. O ensaio é feito em todas as posições do comutador e costuma medir, em conjunto, a corrente de excitação.Quero fazer o ensaio de relação de transformação (TTR)
1. O princípio físico
Em um transformador ideal, a razão entre a tensão do primário e a do secundário é igual à razão entre o número de espiras de cada enrolamento. Essa relação é a base do funcionamento do equipamento e está gravada na placa de identificação para cada posição do comutador.
O ensaio aplica uma tensão conhecida em um enrolamento (normalmente o de alta) e mede a tensão induzida no outro. O instrumento calcula a relação medida e a compara com a relação teórica de placa, expressando a diferença em desvio percentual.
2. Critério de aceitação
A boa prática e as normas estabelecem um desvio aceitável tipicamente da ordem de 0,5% entre a relação medida e a calculada. Dentro dessa faixa, considera-se que as espiras estão íntegras e o comutador na posição correta. Acima dela, há indício de problema que precisa ser investigado.

3. O que os erros revelam
- Desvio elevado em uma fase: espiras em curto-circuito naquela fase — defeito grave, frequentemente acompanhado de gases na DGA e corrente de excitação anômala.
- Relação completamente fora: erro de conexão do ensaio, ligação trifásica mal interpretada ou comutador em posição diferente da informada.
- Descontinuidade entre posições do comutador: contato com problema, salto de posição ou falha no mecanismo de comutação.
- Corrente de excitação anormalmente alta junto com TTR fora: reforça o diagnóstico de espiras em curto ou problema no circuito magnético.

4. A relação com a corrente de excitação
Instrumentos modernos de TTR medem, ao mesmo tempo, a corrente de excitação necessária para magnetizar o transformador durante o ensaio. Essa medição é um diagnóstico complementar valioso: a corrente de excitação é sensível a problemas no circuito magnético e a espiras em curto. Quando TTR e corrente de excitação apontam, juntos, para a mesma fase, o diagnóstico de defeito interno ganha robustez. O tema da corrente de excitação é aprofundado em artigo específico desta série.
Boa prática
Confirme a posição do comutador antes de cada medição e ensaie todas as posições. Use a relação de placa correta para cada derivação. Avalie o desvio percentual por fase e correlacione com a corrente de excitação. Em caso de desvio, descarte primeiro os erros de conexão antes de concluir por defeito interno.
Aviso técnico
O ensaio é feito com o transformador desenergizado, aterrado e isolado da rede, com as conexões de teste corretamente identificadas. Embora a tensão de ensaio seja baixa, há indução nos demais enrolamentos; o procedimento de segurança e a NR-10 devem ser seguidos.
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Como a Tecnvolt Engenharia executa essa manutenção
A Tecnvolt Engenharia realiza o ensaio de relação de transformação em todas as posições do comutador, com instrumento que mede simultaneamente a corrente de excitação, confirmando a posição e a relação de placa de cada derivação. Avaliamos o desvio percentual por fase, descartamos erros de conexão e correlacionamos com os demais ensaios para fechar o diagnóstico de integridade das espiras e do comutador. Entregamos laudo. Atendemos a região Nordeste.
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Perguntas frequentes
O que o ensaio de relação de transformação (TTR) detecta?
Verifica se a razão de tensões corresponde à de placa em cada posição do comutador. Desvios revelam espiras em curto, conexões erradas e problemas no comutador, sendo um teste fundamental de integridade elétrica do transformador.
Qual o desvio aceitável no TTR?
Tipicamente da ordem de 0,5% entre a relação medida e a de placa. Dentro dessa faixa considera-se que as espiras estão íntegras e o comutador na posição correta; acima dela há indício de problema a investigar.
Por que medir em todas as posições do comutador?
Porque defeitos no comutador e descontinuidades só aparecem em certas posições. Medir apenas uma derivação pode esconder problemas de contato, salto de posição ou falha no mecanismo de comutação.
O que significa TTR fora junto com corrente de excitação alta?
É um forte indício de espiras em curto ou problema no circuito magnético da fase afetada. A correlação entre os dois ensaios torna o diagnóstico de defeito interno mais robusto.
Referências técnicas
- IEEE Std C57.12.90 — Standard Test Code for Liquid-Immersed Transformers (ensaio de relação de transformação).
- IEEE Std C57.152 — Guide for Diagnostic Field Testing of Fluid-Filled Power Transformers, Regulators and Reactors.
- IEC 60076-1 — Power transformers: general.
- ABNT NBR 5356 — Transformadores de potência (série): ensaios.
As normas são citadas pelo escopo. Confirme sempre a edição vigente junto à fonte oficial (IEC, IEEE, ABNT) antes de aplicar critérios.
