Um SPDA tecnicamente perfeito no papel falha em poucos anos se os materiais não forem adequados ao ambiente. Seções subdimensionadas fundem na descarga; pares galvânicos mal resolvidos corroem as conexões; eletrodos errados se degradam no solo. A escolha dos materiais e das seções não é detalhe — é o que determina se o SPDA continuará funcionando ao longo de sua vida útil, especialmente em ambientes agressivos como a orla marítima e a indústria química.
Neste artigo trato dos materiais e das seções mínimas dos componentes do SPDA, da questão dos pares galvânicos e de como o ambiente e o solo afetam a durabilidade.
Por Raphael Leite Menezes Santos — Especialista em Sistema Elétrico de Potência · Tecnvolt Engenharia · Tempo de leitura: 13–17 min

Resumo técnico
Os componentes do SPDA têm seções mínimas por material e função, garantindo que suportem a descarga sem fundir. Cobre, alumínio e aço galvanizado têm requisitos diferentes; o alumínio não é usado em contato com o solo. Pares galvânicos (cobre + aço/alumínio em meio úmido) aceleram a corrosão e exigem conexões bimetálicas. Ambientes agressivos (orla, indústria) e solos corrosivos reduzem a vida dos componentes — exigindo materiais e inspeção reforçados.Quero especificar os materiais do meu SPDA
1. Seções mínimas por função
Cada componente — captação, descida e aterramento — tem uma seção mínima por material, definida na NBR 5419-3. A lógica é dupla: a seção precisa suportar o efeito térmico da corrente sem fundir, e os componentes enterrados precisam de massa extra para resistir à corrosão ao longo da vida. Por isso, o aterramento costuma exigir seções maiores que as descidas.
Os valores variam por material: o alumínio exige seções maiores (menor condutividade) e não deve ser usado enterrado nem em ambiente que favoreça sua corrosão; o aço galvanizado tem suas próprias seções e é comum em aterramento. Os números acima são referência — as tabelas da norma vigente prevalecem.
2. Pares galvânicos e conexões

Quando dois metais diferentes ficam em contato na presença de umidade, forma-se uma pilha galvânica: o metal menos nobre corrói aceleradamente. Cobre em contato com aço ou alumínio é o caso clássico. A solução é evitar o contato direto entre metais incompatíveis e usar conexões bimetálicas apropriadas onde a transição for inevitável. As conexões, aliás, são os pontos mais vulneráveis do SPDA — uma junção corroída interrompe o caminho da corrente. Onde possível, a solda exotérmica oferece conexões duráveis e de baixa resistência, especialmente no aterramento.
3. Ambiente e solo
O ambiente define a agressividade. Na orla marítima, a maresia ataca metais e exige materiais resistentes (cobre, aço inox em certos casos) e inspeção mais frequente. Em indústrias químicas e sucroalcooleiras, vapores corrosivos têm efeito semelhante. No solo, a agressividade (resistividade, acidez, umidade) ataca os eletrodos; cobre e aço-cobre resistem melhor que o aço galvanizado em solos agressivos. A escolha deve considerar a vida útil pretendida e o custo de manutenção.
Boa prática
Especifique materiais pela agressividade do ambiente e do solo, não apenas pelo custo inicial. Evite pares galvânicos; use conexões bimetálicas onde a transição for inevitável e solda exotérmica no aterramento. Em orla e indústria, reduza a periodicidade de inspeção das conexões — é onde a corrosão ataca primeiro.
Aviso técnico
As seções mínimas, espessuras e revestimentos por material e função constam da NBR 5419-3; os valores citados aqui são referência. O alumínio não deve ser enterrado. Materiais e revestimentos inadequados ao ambiente comprometem o SPDA antes do fim da vida prevista.
Pedir especificação de materiais de SPDA
Como a Tecnvolt Engenharia executa esse serviço
A Tecnvolt Engenharia especifica materiais e seções do SPDA conforme a função e a agressividade do ambiente e do solo, evitando pares galvânicos, prevendo conexões bimetálicas e solda exotérmica no aterramento. Ajustamos a periodicidade de inspeção das conexões em ambientes agressivos. Atendemos a região Nordeste, inclusive na orla e em indústrias.
Falar com a Tecnvolt sobre materiais e corrosão no SPDA
Perguntas frequentes
Quais materiais são usados no SPDA?
Principalmente cobre, alumínio e aço galvanizado, cada um com seções mínimas próprias por função. O alumínio não deve ser usado enterrado; o cobre e o aço-cobre resistem melhor em solos e ambientes agressivos.
O que é o par galvânico no SPDA?
É a corrosão acelerada que ocorre quando dois metais diferentes ficam em contato na presença de umidade — por exemplo, cobre com aço ou alumínio. Evita-se o contato direto e usam-se conexões bimetálicas onde a transição é inevitável.
Por que o aterramento exige seção maior?
Porque, além de suportar a corrente, os componentes enterrados precisam de massa extra para resistir à corrosão ao longo da vida útil. Por isso o aterramento costuma ter seção maior que as descidas.
Como o ambiente afeta a durabilidade do SPDA?
Orla marítima, indústrias químicas e solos agressivos aceleram a corrosão, sobretudo nas conexões. Exigem materiais mais resistentes e inspeção mais frequente para que o sistema não falhe antes do previsto.
Referências técnicas
- ABNT NBR 5419-3 — Danos físicos a estruturas (materiais, seções e dimensões mínimas).
- IEC 62305-3 — Physical damage to structures and life hazard.
- Boas práticas de conexões e solda exotérmica em aterramento (literatura técnica reconhecida).
As normas são citadas pelo escopo. Confirme sempre as seções, espessuras e revestimentos na edição vigente da NBR 5419-3.
