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Usinas e sistemas fotovoltaicos reúnem três ingredientes que exigem atenção redobrada à proteção contra raios: grandes áreas expostas a céu aberto, estruturas metálicas elevadas e eletrônica de potência sensível e cara (inversores). Some-se a isso o fato de muitas plantas estarem em locais de alta incidência de descargas, e fica claro por que falhas por surto são uma das principais causas de indisponibilidade e perda de receita em geração solar.

Neste artigo trato da proteção de sistemas fotovoltaicos: por que a distância de separação é central nas mesas, como proteger os lados CC e CA com DPS, e por que a equipotencialização das estruturas é decisiva.

Por Raphael Leite Menezes Santos — Especialista em Sistema Elétrico de Potência · Tecnvolt Engenharia · Tempo de leitura: 13–17 min

SPDA e surtos em usinas solares fotovoltaicas.
Em usinas solares, grande área exposta e eletrônica sensível tornam a proteção contra descargas e surtos essencial à disponibilidade.

Resumo técnico

A proteção fotovoltaica combina SPDA (frequentemente isolado nas mesas, mantendo a distância de separação dos módulos) com proteção contra surtos coordenada nos lados CC e CA. Cabos longos de string captam surtos induzidos, exigindo DPS CC nas caixas de junção e na entrada do inversor, e DPS CA na saída e no ponto de conexão. As estruturas, eletrocalhas e aterramento são equipotencializados em malha. A seleção depende da exposição, do comprimento dos cabos e do NP.

Quero proteger minha usina solar contra surtos

1. Por que a usina solar é vulnerável

As mesas (tracker ou fixas) cobrem grandes áreas e têm estruturas metálicas elevadas, aumentando a exposição a descargas diretas e próximas. Além disso, os cabos das strings formam laços extensos entre módulos e caixas de junção — laços ideais para captar surtos induzidos pelo campo magnético do raio. E o inversor, coração da planta, é justamente o componente mais sensível. A proteção precisa, portanto, atuar tanto contra a descarga direta (SPDA) quanto contra os surtos conduzidos e induzidos (DPS).

2. SPDA e distância de separação nas mesas

Quando se adota captação para a descarga direta sobre as mesas (mastros), é preciso manter a distância de separação entre os captores/descidas e os módulos e estruturas — daí o uso frequente de SPDA isolado nas mesas. Onde não é viável manter a distância, equipotencializa-se. A decisão entre captar diretamente (com isolamento) ou apenas equipotencializar e proteger por DPS depende da análise de risco e da exposição da planta.

3. DPS nos lados CC e CA

Onde instalar DPS em uma planta fotovoltaica: strings, inversor CC, saída CA e conexão.
A proteção contra surtos acompanha o caminho da energia: DPS CC nas strings e na entrada do inversor, DPS CA na saída e na conexão.

A proteção contra surtos acompanha o fluxo de energia. No lado CC, instalam-se DPS adequados à tensão do arranjo nas caixas de junção e na entrada CC do inversor — atenção: DPS CC têm requisitos próprios (tensão contínua, comportamento sob falha) e não devem ser substituídos por DPS CA. No lado CA, DPS na saída do inversor e DPS Classe I+II no quadro/ponto de conexão à rede. Em todos os casos, vale o princípio da coordenação por estágios e das ligações curtas.

Regra práticacabos de string longos → maior surto induzido → DPS CC mais próximo possível dos extremos do laço

4. Equipotencialização e aterramento

Estruturas das mesas, eletrocalhas, carcaças e o aterramento devem ser interligados em malha equipotencial. Isso reduz as diferenças de potencial durante a descarga e oferece referência comum aos DPS. O aterramento de usinas costuma usar malhas extensas, integradas à subestação coletora — tema que se conecta ao aterramento de subestações.

Boa prática

Reduza a área dos laços de string (roteamento dos cabos junto à estrutura) para diminuir os surtos induzidos. Use DPS CC específicos próximos dos extremos e DPS CA coordenados até a conexão. Equipotencialize todas as estruturas em malha. Dimensione tudo pela análise de risco e pelo comprimento real dos cabos.

Aviso técnico

DPS para o lado CC fotovoltaico têm normas e parâmetros próprios (tensão CC, comportamento de fim de vida sob corrente contínua); usar DPS CA no lado CC é erro grave e perigoso. A proteção segue a NBR 5419-4 e normas específicas de sistemas fotovoltaicos.

Pedir projeto de proteção de usina solar

Como a Tecnvolt Engenharia executa esse serviço

A Tecnvolt Engenharia projeta a proteção de sistemas fotovoltaicos integrando SPDA (isolado nas mesas quando necessário), proteção contra surtos coordenada nos lados CC e CA com DPS específicos, e equipotencialização em malha das estruturas e do aterramento, integrada à subestação. Dimensionamos pela análise de risco e pelo comprimento dos cabos. Atendemos a região Nordeste.

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Perguntas frequentes

Por que usinas solares são vulneráveis a raios?

Por reunirem grandes áreas expostas, estruturas metálicas elevadas e eletrônica sensível (inversores). Além disso, os cabos longos das strings formam laços que captam surtos induzidos, mesmo sem incidência direta.

Posso usar DPS comum (CA) no lado CC fotovoltaico?

Não. DPS para o lado CC têm requisitos próprios de tensão contínua e de comportamento sob falha. Usar DPS CA no lado CC é erro grave e perigoso; devem-se usar DPS CC específicos para fotovoltaico.

Onde instalar DPS em uma planta solar?

No lado CC: caixas de junção das strings e entrada CC do inversor. No lado CA: saída do inversor e quadro/ponto de conexão à rede (Classe I+II). Sempre coordenados e com ligações curtas.

Preciso de SPDA isolado nas mesas?

Frequentemente sim, para manter a distância de separação entre captação/descidas e os módulos. A decisão entre captar diretamente (isolado) ou apenas equipotencializar e proteger por DPS depende da análise de risco e da exposição.

Referências técnicas

  1. ABNT NBR 5419-2/3/4 — Risco, danos físicos e sistemas internos (aplicados a sistemas FV).
  2. IEC 62305 (série) — Protection against lightning.
  3. IEC/ABNT — normas de proteção contra surtos em sistemas fotovoltaicos e DPS CC.
  4. ABNT NBR 16690 — Instalações elétricas de arranjos fotovoltaicos.

As normas são citadas pelo escopo. Confirme sempre a edição vigente junto à fonte oficial (ABNT, IEC) antes de aplicar critérios.