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A medição de resistência de aterramento é a verificação mais cobrada em laudos de SPDA — e uma das mais sujeitas a erro. Um valor ‘baixo’ obtido com método errado não significa nada; pior, pode mascarar um aterramento ruim. Entender o que o método da queda de potencial realmente mede, e por que a leitura deve ser tomada em um ponto específico da curva, é o que separa uma medição confiável de um número inventado.

Neste artigo explico o método da queda de potencial (3 pontos), a regra do patamar de 62%, e o método de Wenner para levantar a resistividade do solo — informação essencial para o projeto do aterramento.

Por Raphael Leite Menezes Santos — Especialista em Sistema Elétrico de Potência · Tecnvolt Engenharia · Tempo de leitura: 13–17 min

Medição de resistência de aterramento com terrômetro em campo.
Medição de resistência de aterramento em campo: o método e a distância das hastes auxiliares definem a confiabilidade do resultado.

Resumo técnico

O método da queda de potencial injeta corrente entre o eletrodo sob teste (E) e uma haste de corrente distante (C), medindo a tensão em uma haste de potencial (P) movida entre eles. A resistência lida cresce e estabiliza em um patamar — a leitura correta é tomada em torno de 62% da distância E–C. A haste de corrente deve estar longe o suficiente para haver patamar. O método de Wenner (4 hastes equidistantes) levanta a resistividade do solo por profundidade, base do projeto.

Quero medir o aterramento do meu SPDA

1. O método da queda de potencial (3 pontos)

Método da queda de potencial: hastes E, P, C e o patamar de 62%.
O terrômetro injeta corrente entre E e C e mede a tensão em P; a leitura é tomada no patamar, em torno de 62% da distância.

O princípio: injeta-se uma corrente conhecida entre o eletrodo sob teste (E) e uma haste auxiliar de corrente (C), distante. A queda de tensão é medida em uma haste de potencial (P), deslocada ao longo da linha E–C. Para cada posição de P, o terrômetro calcula R = V/I. Plotando R em função da posição de P, obtém-se uma curva que sobe, atinge um patamar plano e volta a subir perto de C.

O valor correto da resistência do eletrodo é o do patamar — região onde as ‘zonas de influência’ de E e de C não se sobrepõem. Para um eletrodo simples, esse patamar ocorre tipicamente quando P está a cerca de 62% da distância de E até C. Se a haste de corrente estiver perto demais, não há patamar, e a medição é inválida.

Resistência de aterramentoR = V / I , lida no patamar (P ≈ 62% da distância E–C)

2. Erros comuns

Boas práticas na medição de resistência de aterramento.
Boas práticas: distância suficiente da haste de corrente, leitura no patamar, isolar o eletrodo e levantar a resistividade por Wenner.
  • Haste de corrente próxima demais: as zonas de influência se sobrepõem, não há patamar e a resistência sai falsamente baixa.
  • Medir o conjunto sem isolar o eletrodo: para medir apenas um eletrodo, ele deve ser desconectado das descidas; senão, mede-se o paralelo de todo o sistema (que dá valor menor).
  • Ignorar a umidade do solo: a resistência varia com a estação; medir em solo seco dá o pior caso, e o laudo deve registrar as condições.
  • Não verificar o patamar: tomar uma única leitura sem traçar a curva é a causa nº 1 de medições erradas.

3. Resistividade do solo (método de Wenner)

Antes de projetar o aterramento, é preciso conhecer a resistividade do solo. O método de Wenner usa quatro hastes igualmente espaçadas: injeta corrente nas externas e mede a tensão nas internas. Variando o espaçamento, levanta-se a resistividade em diferentes profundidades, permitindo estratificar o solo (camadas) e dimensionar corretamente os eletrodos. Sem esse dado, o projeto de aterramento é um chute.

Boa prática

Sempre trace a curva da queda de potencial e confirme o patamar — não confie em leitura única. Use distância de haste de corrente suficiente (várias vezes a dimensão do eletrodo). Para projeto, levante a resistividade por Wenner. Registre no laudo o método, as distâncias, a condição do solo e a data.

Aviso técnico

A medição envolve injeção de corrente no solo e trabalho em área externa; mantenha pessoas afastadas das hastes durante o ensaio. Em subestações energizadas, há ainda o risco de potenciais transferidos — siga a NR-10 e procedimentos específicos.

Pedir medição de aterramento e resistividade

Como a Tecnvolt Engenharia executa esse serviço

A Tecnvolt Engenharia mede a resistência de aterramento pelo método da queda de potencial traçando a curva completa e confirmando o patamar, e levanta a resistividade do solo por Wenner para subsidiar o projeto. Isolamos o eletrodo quando necessário, registramos as condições e entregamos laudo com a metodologia e os resultados. Atendemos a região Nordeste.

Falar com a Tecnvolt sobre medição de aterramento

Perguntas frequentes

Como se mede a resistência de aterramento?

Pelo método da queda de potencial (3 pontos): injeta-se corrente entre o eletrodo e uma haste distante e mede-se a tensão em uma haste intermediária deslocada ao longo da linha. A resistência é lida no patamar da curva, em torno de 62% da distância.

Por que a haste de corrente precisa ficar longe?

Para que as zonas de influência do eletrodo e da haste de corrente não se sobreponham. Se ela estiver perto demais, não há patamar na curva e a resistência sai falsamente baixa, invalidando a medição.

O que é o método de Wenner?

É a técnica de medição da resistividade do solo com quatro hastes equidistantes. Variando o espaçamento, levanta-se a resistividade em diferentes profundidades, permitindo estratificar o solo e dimensionar o aterramento corretamente.

Preciso desconectar o eletrodo para medir?

Para medir apenas um eletrodo, sim — caso contrário, mede-se o paralelo de todo o sistema de aterramento, resultando em valor menor que o do eletrodo isolado. Para medir o conjunto, mantém-se tudo conectado, registrando essa condição no laudo.

Referências técnicas

  1. ABNT NBR 5419-3 — Danos físicos a estruturas (verificação do aterramento).
  2. ABNT NBR 7117 — Medição da resistividade e determinação da estratificação do solo (Wenner).
  3. IEEE Std 81 — Guide for Measuring Earth Resistivity, Ground Impedance, and Earth Surface Potentials.
  4. ABNT NBR 15749 — Medição de resistência de aterramento e de potenciais na superfície do solo.

As normas são citadas pelo escopo. Confirme sempre a edição vigente junto à fonte oficial (ABNT, IEEE) antes de aplicar critérios.