O subsistema de captação é a linha de frente do SPDA: é ele que oferece à descarga um ponto preferencial de incidência. Um projeto de captação correto garante que, se o raio cair, ele caia onde queremos — nos captores — e não em um ponto vulnerável da cobertura. Um projeto malfeito deixa ‘sombras’ onde a descarga pode atingir diretamente a estrutura, anulando todo o investimento.
Neste artigo trato do projeto da captação: os tipos de captores disponíveis, incluindo os componentes naturais, e como posicioná-los corretamente usando a esfera rolante para não deixar volumes desprotegidos.
Por Raphael Leite Menezes Santos — Especialista em Sistema Elétrico de Potência · Tecnvolt Engenharia · Tempo de leitura: 13–17 min

Resumo técnico
A captação pode usar hastes (Franklin), condutores horizontais sobre cumeeiras e bordas, malha (Faraday) ou componentes naturais (coberturas e estruturas metálicas adequadas). O posicionamento é validado pela esfera rolante: os captores devem garantir que a esfera de raio correspondente ao NP não toque pontos vulneráveis. Bordas, cantos e equipamentos sobre o telhado são os pontos críticos.Quero projetar a captação do meu SPDA
1. Tipos de captores

Hastes e mastros (Franklin): captores verticais instalados em pontos altos, cantos e sobre equipamentos salientes. Protegem um volume cônico e são ideais para destacar pontos específicos.
Condutores horizontais: cabos esticados sobre cumeeiras, bordas e perímetros, formando anéis de captação. São a base do método de malha e protegem as arestas, que são pontos preferenciais de incidência.
Malha (Faraday): rede de condutores sobre a cobertura, com espaçamento conforme o NP. Indicada para coberturas planas e grandes áreas, com o benefício adicional de reduzir campos internos.
Componentes naturais: coberturas e estruturas metálicas com espessura, seção e continuidade adequadas podem cumprir a função de captação, dispensando captores dedicados — desde que comprovadas em projeto.
2. Posicionamento e a regra da esfera
Independentemente do tipo de captor, o posicionamento é validado pela esfera rolante: rolando a esfera de raio correspondente ao NP sobre a estrutura, nenhum ponto vulnerável deve ser tocado. Na prática, isso define a altura dos mastros e o espaçamento entre captores e condutores.
Os pontos que mais exigem atenção são as bordas e cantos (onde a esfera toca primeiro) e os equipamentos sobre a cobertura — antenas, casas de máquinas, exaustores, painéis. Cada um desses elementos altos precisa estar dentro da zona protegida ou receber captação própria.
3. Cuidados de execução
A captação só funciona se estiver eletricamente contínua e mecanicamente firme. Os condutores devem ter as seções mínimas normalizadas, as conexões devem ser robustas e resistentes à corrosão, e as fixações precisam suportar o esforço eletrodinâmico da descarga e as intempéries. Captação ‘solta’ ou interrompida é uma das não conformidades mais encontradas em inspeções.
Boa prática
Comece pela proteção das bordas e cantos com condutores de perímetro, complemente com captores nos pontos altos e equipamentos, e valide tudo com a esfera rolante. Não esqueça os elementos metálicos sobre o telhado — eles tanto podem precisar de captação quanto servir como captação natural, se contínuos.
Aviso técnico
Equipamentos energizados sobre a cobertura (antenas, condensadores) não devem receber a corrente de descarga diretamente; devem estar dentro da zona protegida por captores, mantendo a distância de separação quando aplicável. Trabalho em cobertura segue a NR-35.
Pedir projeto de captação com validação por esfera rolante
Como a Tecnvolt Engenharia executa esse serviço
A Tecnvolt Engenharia projeta a captação combinando condutores de perímetro, captores e malha conforme a geometria, validando o conjunto pela esfera rolante do NP definido. Detalhamos seções, fixações e conexões adequadas, tratamos os equipamentos de cobertura e garantimos continuidade elétrica e resistência mecânica. Atendemos a região Nordeste.
Falar com a Tecnvolt sobre captação de SPDA
Perguntas frequentes
Quais tipos de captores existem no SPDA?
Hastes/mastros (Franklin), condutores horizontais sobre cumeeiras e bordas, malha de cobertura (Faraday) e componentes naturais (coberturas e estruturas metálicas adequadas). Em geral, combinam-se vários tipos no mesmo projeto.
Como se define o posicionamento dos captores?
Pela esfera rolante: os captores devem garantir que a esfera de raio correspondente ao nível de proteção não toque pontos vulneráveis da estrutura, o que determina a altura dos mastros e o espaçamento entre elementos.
Equipamentos sobre o telhado precisam de proteção própria?
Sim, se ficarem fora da zona protegida pelos captores existentes. Antenas, casas de máquinas e exaustores altos costumam ser pontos onde a esfera toca, exigindo captação dedicada ou reposicionamento.
Uma cobertura metálica pode dispensar captores?
Pode, se tiver espessura, seção e continuidade adequadas para atuar como captação natural, conforme a NBR 5419-3, e isso for comprovado em projeto. Caso contrário, são necessários captores dedicados.
Referências técnicas
- ABNT NBR 5419-3 — Danos físicos a estruturas (captação, posicionamento e componentes naturais).
- IEC 62305-3 — Physical damage to structures and life hazard.
- ABNT NBR 5419-1 — Princípios gerais (níveis de proteção).
As normas são citadas pelo escopo. Confirme sempre a edição vigente junto à fonte oficial (ABNT, IEC) antes de aplicar critérios.
