
A medição de resistência ôhmica dos enrolamentos é um dos ensaios mais informativos da manutenção de transformadores de potência: detecta conexões frouxas, contatos degradados no comutador, soldas defeituosas e assimetrias entre fases. O CPC 100 a executa por injeção de corrente contínua elevada, com a vantagem de integrar essa medição às demais (relação, desmagnetização) em um único equipamento de campo.
Neste artigo explico como o CPC 100 mede a resistência de enrolamento, os cuidados com indutância e temperatura, e o que os resultados revelam.
Por Raphael Leite Menezes Santos — Especialista em Sistema Elétrico de Potência · Tecnvolt Engenharia · Tempo de leitura: 13–17 min

Resumo técnico
O CPC 100 mede a resistência do enrolamento injetando corrente contínua (tipicamente até ~400 A) e lendo a queda de tensão pelo método de quatro fios, que elimina a resistência dos cabos. A alta indutância dos enrolamentos exige aguardar a estabilização da corrente antes de ler. O valor é corrigido para a temperatura de referência (cobre/alumínio variam ~0,4%/°C). Mede-se em todas as fases e posições do comutador, comparando entre fases, com a fábrica e com o histórico.Quero medir a resistência de enrolamento do meu transformador
1. Método e cuidados

A medição usa o método de quatro fios: dois cabos injetam a corrente CC e dois cabos independentes medem a tensão diretamente nos terminais, eliminando o erro dos cabos. A indutância elevada dos enrolamentos faz a corrente estabilizar lentamente (constante de tempo L/R) — ler antes da estabilização dá valor errado. O CPC 100 injeta corrente suficiente para acelerar a estabilização e indica quando a leitura é válida.
Como a resistência do cobre/alumínio varia cerca de 0,4% por grau, o valor é sempre corrigido para uma temperatura de referência antes de comparar com a fábrica ou entre fases.
2. O que os resultados revelam

O diagnóstico vem da comparação: desvio elevado entre fases aponta conexão frouxa, solda ruim ou contato degradado; descontinuidade entre posições do comutador revela contatos sujos ou desgastados — por isso mede-se em todas as posições; resistência muito acima do esperado indica mau contato. A medição da resistência também é pré-requisito para a desmagnetização correta do núcleo, feita logo em seguida.
Boa prática
Meça todas as fases e todas as posições do comutador, sempre corrigindo para a temperatura de referência. Aguarde a estabilização (indutância) antes de ler. Compare entre fases, com a fábrica e com o histórico. Desmagnetize o núcleo ao final, pois a injeção CC o magnetiza.
Aviso técnico
O ensaio armazena energia magnética nos enrolamentos; desconectar os cabos com corrente fluindo gera arco e sobretensão perigosa. Descarregue a energia pelo procedimento do equipamento antes de manusear, com o transformador desenergizado e aterrado (NR-10).
Pedir medição de resistência de enrolamento
Como a Tecnvolt Engenharia utiliza o CPC 100
A Tecnvolt Engenharia mede a resistência de enrolamento de transformadores com o CPC 100 por injeção CC e método de quatro fios, aguardando a estabilização, medindo todas as fases e posições do comutador e corrigindo para a temperatura de referência. Desmagnetizamos o núcleo ao final e entregamos laudo. Atendemos a região Nordeste.
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Perguntas frequentes
Como o CPC 100 mede a resistência de enrolamento?
Por injeção de corrente contínua (até ~400 A) e medição a quatro fios, que elimina a resistência dos cabos. Aguarda-se a estabilização da corrente (imposta pela indutância) antes de ler o valor.
Por que corrigir a temperatura?
Porque a resistência do cobre e do alumínio varia cerca de 0,4% por grau Celsius. Sem corrigir para uma temperatura de referência, comparações entre fases, ensaios ou com a fábrica ficam inválidas.
Por que medir em todas as posições do comutador?
Porque descontinuidades e desvios entre posições revelam contatos sujos, desgastados ou com problema de sincronismo no comutador. Medir apenas uma posição esconde defeitos.
Preciso desmagnetizar após o ensaio?
Sim. A injeção de corrente contínua magnetiza o núcleo; o magnetismo residual distorce ensaios posteriores (relação, corrente de excitação) e a operação. O CPC 100 realiza a desmagnetização.
Referências técnicas
- IEEE C57.152 — Diagnostic Field Testing of Fluid-Filled Power Transformers.
- IEEE C57.12.90 — Standard Test Code for Liquid-Immersed Transformers.
- OMICRON — documentação técnica pública do CPC 100 (resistência de enrolamento).
As normas e marcas são citadas para fins técnicos e educativos. Confirme a edição vigente na fonte oficial.
