Em motores e geradores de média/alta tensão, a descarga parcial (DP) concentra-se em duas zonas: a ranhura (slot) e a cabeça de bobina (end-winding). Cada uma depende de um recurso de engenharia específico — o revestimento semicondutor de ranhura e o sistema de gradação de campo — cuja degradação origina a descarga. Este artigo detalha a física de cada zona e como diagnosticá-las (IEEE 1434, IEC 60034-27).
Por Raphael Leite Menezes Santos — Especialista em Sistema Elétrico de Potência · Tecnvolt Engenharia (Recife/PE)

Resumo. Explica-se o slot discharge (papel do revestimento semicondutor de ranhura e da folga barra-núcleo) e a DP de end-winding (papel do sistema de gradação de campo / stress grading e da contaminação), com as assinaturas no PRPD por fase e as implicações de manutenção.
Na ranhura, a superfície da isolação da barra precisa estar ao mesmo potencial do núcleo aterrado, evitando que se forme um espaço de ar sob tensão. Para isso, aplica-se um revestimento semicondutor (tinta ou fita condutiva) que faz o contato elétrico entre a barra e o ferro. Quando há folga (cunhas afrouxadas, vibração) ou desgaste/abrasão desse revestimento, surge um pequeno espaço de ar sob campo — e ali ocorre o slot discharge, que erode o revestimento e a isolação progressivamente.
Na saída da ranhura e nas cabeças de bobina, o campo elétrico tende a se concentrar abruptamente. Para suavizá-lo, usa-se um sistema de gradação de tensão (stress grading), comumente baseado em material de resistividade não linear (por exemplo, à base de carbeto de silício), que distribui o potencial ao longo de um comprimento. A degradação desse sistema — por envelhecimento térmico, contaminação ou montagem — eleva o campo local e origina DP de superfície no end-winding.

Além da degradação do stress grading, contribuem para a DP de end-winding: contaminação (poeira condutiva, óleo, umidade), espaçamento insuficiente entre bobinas de fases diferentes, vibração e ressecamento. Por estar exposto ao ambiente interno da máquina, o end-winding é sensível às condições de operação e limpeza.

A medição é feita por fase; comparar as três fases ajuda a localizar a zona afetada. Slot discharge e end-winding tendem a apresentar assinaturas distintas no PRPD (posição, simetria, polaridade), mas a confirmação combina o padrão com inspeção visual, com a tendência e, quando possível, com mapeamento. A medição segue a IEEE 1434 e a IEC 60034-27.
Quer saber se é slot ou end-winding? A Tecnvolt mede por fase e interpreta.
Falar com um especialista no WhatsAppA ação depende da zona. Slot discharge por folga pede recolocação/reaperto de cunhas, reforço de fixação ou recuperação do revestimento semicondutor. DP de end-winding por contaminação pede limpeza técnica e melhoria de espaçamento; por degradação do stress grading, pode exigir recuperação do sistema de gradação. Tratar tudo como “DP genérica” leva a intervenções equivocadas.
A Tecnvolt, empresa de engenharia elétrica de Recife/PE com atuação no Nordeste, mede DP por fase, distingue slot discharge de end-winding pelo PRPD e pela inspeção, conforme IEEE 1434 e IEC 60034-27, e entrega laudo que aponta a zona e orienta a manutenção.
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Agendar um diagnóstico elétricoFolga entre a barra e o núcleo (cunhas afrouxadas, vibração) ou desgaste do revestimento semicondutor de ranhura, criando espaço de ar sob campo.
O sistema de gradação de campo na saída da ranhura, geralmente de material de resistividade não linear, que suaviza o campo elétrico e evita DP no end-winding.
Pela medição por fase e pelo PRPD, combinados com inspeção e tendência — a conclusão é de engenharia.
Muito. Slot e end-winding pedem ações distintas; localizar a zona é decisivo para a intervenção correta.
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