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Inspeção e termografia em subestação de 69 kV
Inspeção de subestação: rondas sensoriais e termografia detectam defeitos antes da parada.

Antes de qualquer ensaio elétrico que exija desligamento, há duas técnicas que vigiam a subestação de 69 kV com ela em operação: a inspeção visual e a termografia. Juntas, elas formam a primeira linha de defesa da confiabilidade — detectam vazamentos, corrosão, conexões aquecidas e contatos degradados antes que virem falha. São baratas, não invasivas e, bem executadas, antecipam a maior parte dos problemas que parariam a planta.

Neste artigo, terceiro da série sobre manutenção de SE 69 kV, detalho o que observar na ronda sensorial, como a termografia funciona e onde costuma flagrar defeito, e como classificar a severidade do que se mede para transformar a imagem térmica em decisão de manutenção.

Por Raphael Leite Menezes Santos — Especialista em Sistema Elétrico de Potência · Tecnvolt Engenharia · Tempo de leitura: 13–17 min

Resumo técnico

A inspeção visual é uma ronda sensorial que verifica vazamentos de óleo e SF6, corrosão, isoladores trincados, ruídos anormais, níveis, sílica-gel, estruturas, civil, aterramento e serviços auxiliares. A termografia mede a radiação infravermelha e a converte em temperatura, detectando conexões frouxas ou oxidadas, contatos, buchas e para-raios em aquecimento — sempre sob carga representativa, com emissividade ajustada e sem reflexos. A severidade se classifica pela elevação sobre uma referência (ambiente ou fase equivalente), guiando ações de acompanhar a intervir. Confirme a edição vigente das normas.

Quero inspeção e termografia na minha SE 69 kV

1. A inspeção visual

A inspeção visual é a tarefa mais simples e mais subestimada da manutenção. Trata-se de uma ronda sensorial — olhar, ouvir, sentir — feita com a subestação energizada, à distância segura, por profissional habilitado.

Checklist de inspeção visual da subestação de 69 kV.
Checklist de inspeção visual da SE (pátio, civil, aterramento, auxiliares).

O que se observa: vazamentos de óleo no transformador, buchas e disjuntores, e indícios de fuga de SF6 em equipamentos pressurizados; corrosão em estruturas, conexões e tanques; isoladores trincados, lascados ou com depósitos; ruídos anormais (zumbido excessivo, crepitação que sugere descarga); nível de óleo e estado dos indicadores; sílica-gel dos secadores de ar (cor saturada indica umidade); estado das estruturas e da parte civil (bases, drenagem, bacias de contenção); a malha de aterramento visível e suas conexões; e os serviços auxiliares (painéis, baterias, iluminação). Cada anomalia entra no registro e alimenta a decisão de aprofundar com ensaio.

2. A termografia

Termografia em subestação: o que detecta e como medir.
Termografia: o que detecta, sob carga, emissividade e severidade.

A termografia usa uma câmera infravermelha que capta a radiação térmica emitida pelos corpos e a converte em temperatura aparente. Em uma SE, ela detecta principalmente conexões frouxas ou oxidadas, contatos degradados, buchas e para-raios que aquecem por perda dielétrica. O princípio físico é direto: a perda por efeito Joule cresce com o quadrado da corrente, de modo que o aquecimento de uma conexão com resistência elevada é proporcional a I², e fica visível justamente quando a carga sobe.

Por isso, a regra de ouro é inspecionar sob carga representativa: uma conexão defeituosa quase sem corrente pode parecer fria e enganar. Dois cuidados técnicos definem a qualidade da medição: ajustar a emissividade ao material da superfície (metais polidos têm emissividade baixa e exigem correção) e evitar reflexos de fontes quentes (sol, outros equipamentos) que falseiam a leitura. Documentar a carga no momento da imagem é essencial para comparar campanhas.

3. Classificação de severidade e ação

Uma imagem térmica só vira decisão quando a severidade é classificada. O critério mais robusto não é a temperatura absoluta, e sim a elevação do ponto sobre uma referência: o ambiente, ou — melhor ainda — a fase equivalente. Se uma das três fases de uma conexão está significativamente mais quente que as outras duas sob a mesma carga, há defeito, independentemente do valor absoluto.

A partir dessa elevação, define-se a faixa de ação: pequenas diferenças entram em acompanhamento, com reinspeção na próxima campanha; diferenças moderadas exigem programar intervenção na próxima janela; e elevações acentuadas demandam intervenção prioritária, pois indicam risco de falha próxima. Em todos os casos, registra-se a carga no momento, as imagens (térmica e visível) e a referência usada, para que a tendência ao longo do tempo sustente a decisão.

Boa prática

Compare sempre fase com fase sob a mesma carga: a fase equivalente é a melhor referência de severidade, porque elimina a influência do ambiente e da carga instantânea. E registre a corrente no momento da imagem — sem ela, a termografia não pode ser comparada entre campanhas nem corrigida para condição de plena carga.

Aviso técnico

A inspeção visual e a termografia são feitas com a subestação energizada, o que exige distância de segurança, profissional habilitado e autorizado e treinamento em Sistema Elétrico de Potência (SEP), conforme a NR-10. Qualquer intervenção física decorrente do diagnóstico (reaperto, troca) só se faz com desenergização, bloqueio, teste de ausência de tensão e aterramento temporário. Confirme a edição vigente das normas.

Falar com um especialista em termografia de SE

Como a Tecnvolt Engenharia executa esse serviço

A Tecnvolt Engenharia realiza a inspeção visual e a termografia de subestações de 69 kV com a SE em operação: percorre o checklist sensorial, captura as imagens térmicas sob carga representativa com emissividade ajustada, classifica a severidade por elevação sobre fase equivalente e consolida tudo em laudo com ART, indicando ações e prazos. Atuamos em campo na região Nordeste, em subestações de indústrias, geração e concessionárias.

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Perguntas frequentes

O que verificar na inspeção visual?

Vazamentos de óleo e SF6, corrosão, isoladores trincados, ruídos anormais, nível de óleo, sílica-gel saturada, estado das estruturas e parte civil, a malha de aterramento visível e os serviços auxiliares (painéis, baterias). Cada anomalia entra no registro e pode disparar um ensaio mais detalhado.

Por que inspecionar sob carga?

Porque o aquecimento de uma conexão defeituosa é proporcional ao quadrado da corrente. Sob carga baixa, um defeito real pode parecer frio e passar despercebido; sob carga representativa, ele se revela. Por isso se registra a corrente no momento da imagem.

A termografia pode dar falso diagnóstico?

Pode, se a emissividade não for ajustada ao material ou se houver reflexos de fontes quentes (sol, outros equipamentos). Metais polidos, com emissividade baixa, são especialmente sujeitos a erro. Por isso a técnica exige profissional treinado e cuidados de medição.

A termografia substitui ensaios elétricos?

Não. A termografia é uma triagem poderosa com a SE energizada, mas não mede a condição interna do isolamento, dos enrolamentos ou dos contatos internos. Ela complementa — e muitas vezes dispara — os ensaios elétricos, que exigem desligamento.

Referências técnicas

  1. ABNT NBR 16292 / NBR 15572 — Termografia: terminologia e procedimentos.
  2. NR-10 — Segurança em instalações e serviços em eletricidade (e SEP).
  3. IEEE C57.152 — Diagnostic Field Testing of Fluid-Filled Power Transformers.
  4. ISO 18434 — Termografia em monitoramento de condição.

As normas são citadas pelo escopo. Confirme sempre a edição vigente junto à fonte oficial e às exigências regulatórias do setor.