Página técnica sobre comissionamento de relés de proteção em Bacabeira: como validar proteção de instalação nova, sem histórico operacional, em subestações de entrada ligadas ao eixo industrial e logístico da Grande São Luís.
Pickup, tempo medido e desvio registrados função a função, contra o estudo de ajustes.
Trip real, intertravamentos, falha de disjuntor e cada ponto do SCADA conferido.
Assinados por engenheiro eletricista com CREA ativo, especialista em SEP.
Por Eng. Raphael Leite Menezes Santos
Engenheiro Eletricista — Especialista em Sistema Elétrico de Potência
Tecnvolt Engenharia (Recife/PE)
Bacabeira é um município pequeno com uma posição desproporcional ao seu tamanho: fica sobre a BR-135, no corredor ferroviário para o porto, na rota de linhas de transmissão e da adutora que abastece a Grande São Luís, e é onde foi criada a Zona de Processamento de Exportação do Maranhão. Praticamente toda a carga industrial relevante ali é nova ou em implantação.
Isso define o problema técnico. Instalação nova não tem histórico: não existe registro de falta anterior, não existe ajuste herdado que já provou funcionar, e não existe operador que saiba de cor qual disjuntor abre o quê. Tudo o que a proteção vai fazer no primeiro defeito real depende do que foi verificado no comissionamento.
Engenheiros e coordenadores de manutenção elétrica, gestores de confiabilidade e de ativos, equipes de O&M de indústrias, concessionárias, geradoras e autoprodutores, integradores e construtoras responsáveis por entregar subestação nova ou retrofit — e quem precisa avaliar se o relatório de comissionamento recebido de um terceiro realmente comprova o que diz comprovar.
Conteúdo técnico e comercial. Ensaios e intervenções em relés e circuitos de proteção devem ser realizados por equipe qualificada, com APR, permissão de trabalho, instrumentos calibrados e responsabilidade técnica registrada em ART, conforme a NR-10 e os procedimentos da instalação.
O comissionamento de relés de proteção é o conjunto de verificações que comprova que a proteção projetada é exatamente a proteção instalada: que ela enxerga a corrente certa, decide no tempo certo e abre o disjuntor certo. Um teste de relé verifica o IED isolado, na bancada — pickup, tempo, curva. O comissionamento verifica a cadeia completa: TC e TP → fiação → IED → circuito de trip → bobina de abertura → disjuntor → sinalização → supervisório.
A diferença não é semântica. Um relé pode passar em 100% da injeção secundária e a instalação continuar desprotegida, porque o fio de trip foi para o cubículo vizinho, porque a relação de TC parametrizada não é a instalada, ou porque a função existe no relé e ninguém a mapeou na matriz de trip. Esses defeitos não aparecem no ensaio do relé. Aparecem no comissionamento — ou na falta real.
A referência prática separa dois regimes. O ensaio de aceitação (ANSI/NETA ATS) vale para instalação nova, ampliação e retrofit: é feito antes da energização, cobre 100% das funções habilitadas e exige valores medidos contra o projeto. O ensaio de manutenção (ANSI/NETA MTS) é o periódico da instalação em operação: parte de uma linha de base já conhecida e foca na deriva, na integridade do circuito de trip e na revalidação dos ajustes após mudanças na rede.
Chamar de comissionamento um ensaio de manutenção — ou aceitar um relatório de manutenção como comprovação de comissionamento — é a origem mais comum de pendência em auditoria e em vistoria da concessionária.
Comissionamento sem documento de referência vira conferência de números arbitrários. Antes do campo é preciso ter em mãos:
Quando o estudo não existe, ou está desatualizado em relação à instalação real, a Tecnvolt executa o estudo de proteção antes do comissionamento. Não é venda casada: é a única forma de o ensaio ter contra o que ser comparado. Esse encadeamento faz parte do escopo maior de SPCS — Sistema de Proteção, Controle e Supervisão.
A ordem importa. Cada etapa só faz sentido se a anterior fechou, porque cada uma elimina uma classe de erro que a seguinte não conseguiria enxergar.
Comparar, campo a campo, o arquivo carregado no IED com a tabela do estudo: relação de TC e TP, tap, curva selecionada (IEC ou IEEE, Normalmente / Muito / Extremamente Inversa), pickup, TMS ou dial, tempo definido, temporizações de retaguarda, bloqueios, funções habilitadas e qual grupo de ajustes está ativo. Registrar versão de firmware e identificação do arquivo. Divergência encontrada aqui custa minutos; encontrada na energização, custa a janela de parada.
Com mala de teste trifásica, função por função, medindo e registrando o valor — nunca apenas “conforme”:

Tolerância típica de aceitação: ±5% na corrente de pickup e ±5% ou ±30 ms no tempo, prevalecendo o maior. O relatório registra valor de projeto, valor medido, desvio e veredito.
Relação efetiva, polaridade, resistência do enrolamento secundário, curva de saturação com determinação do joelho, resistência do circuito e carga (burden) real conectada. É nesta etapa que aparecem o TC com relação diferente da placa, o secundário aberto, o enrolamento de medição usado indevidamente para proteção e a polaridade invertida que inverte a direcionalidade do 67 sem alterar nenhum valor de módulo.
É a única verificação que fecha o laço do primário do TC até o relé passando pela fiação real da instalação. Confirma relação efetiva, polaridade e ausência de derivação, jumper ou aterramento esquecido no secundário. Em proteção diferencial a injeção primária é o que prova a estabilidade: com falta externa simulada, a corrente diferencial vista pelo relé tem de permanecer abaixo do ajuste mínimo. Sem esse ensaio, um 87T com uma fase invertida passa por perfeito até a primeira energização.
Cada função dispara o disjuntor que o projeto determina — e apenas ele. Verifica-se abertura real por atuação de cada função, bloqueio de religamento e relé de bloqueio (86 / 94 lockout), disparo do 50BF na retaguarda correta, intertravamentos de manobra, supervisão da bobina de abertura (74 / TCS) e o tempo total medido entre a atuação da função e a separação dos contatos do disjuntor. Esse tempo é o que o estudo de seletividade assumiu; se na prática ele for maior, a coordenação calculada não existe.
Em subestação digital: importação do SCD, conferência dos arquivos CID de cada IED, verificação das mensagens GOOSE publicadas e efetivamente assinadas, medição do tempo de transferência e ensaio do comportamento na perda do publicador (bit de qualidade e de simulação). Em seguida a subida para o supervisório por MMS, DNP3 ou Modbus: cada alarme, cada estado e cada medida chegando com a tag correta e a escala correta. Por fim o sincronismo de tempo (SNTP ou PTP) — sem base de tempo comum, a oscilografia de um evento não pode ser correlacionada entre vãos e perde a função de análise.
Checklist de pré-energização, conferência de sequência de fase, verificação de sincronismo (25) quando houver paralelismo e — com a instalação já energizada — leitura de corrente, tensão e fasores diretamente no IED, para confirmar que o que o relé mede é o que a instalação tem. Coleta da oscilografia de energização em COMTRADE como linha de base para todas as análises futuras.
A lista abaixo não é teórica. São modos de falha recorrentes em comissionamento de relés de proteção, e todos passam despercebidos por um ensaio de bancada:
Esse pacote é o que sustenta a instalação em auditoria, em vistoria da concessionária, em análise de sinistro e na próxima intervenção — quando outra equipe precisar saber por que o ajuste é aquele.

Bacabeira não é, hoje, um município de indústria pesada consolidada. Sua carga atual é formada por bombeamento e adução de água do sistema que atende a Grande São Luís, comércio e serviços locais, telecomunicações, operações logísticas ao longo da BR-135 e canteiros de obra. O que muda o quadro é o vetor de implantação: a criação da Zona de Processamento de Exportação, a proximidade do complexo portuário de São Luís e o cruzamento com os corredores ferroviários colocam o município na fila de subestações de entrada novas, em greenfield. Na prática, quem opera energia em Bacabeira lida com instalação em implantação ou recém-energizada — e com o risco específico que isso traz.
Em obra nova, o peso do comissionamento se desloca do ajuste fino para a comprovação física do circuito. A ordem que importa é esta:
Nova conexão em média ou alta tensão passa por análise do acessante e por vistoria antes da energização, com os requisitos de proteção do PRODIST e os ajustes coordenados com a rede da Equatorial Maranhão. O pacote que sustenta essa liberação inclui estudo de curto-circuito e seletividade, tabela de ajustes por função, relatórios de injeção secundária e primária, comprovação de TC e TP, registro do teste de matriz de trip, arquivos de configuração 61850 e ART do CREA. Em empreendimento voltado à exportação, some a isso a auditoria do próprio investidor, que costuma pedir rastreabilidade de cada valor aplicado. A energização assistida, com a equipe acompanhando a primeira entrada em carga e lendo a oscilografia em COMTRADE, é o que fecha o ciclo.
A Tecnvolt Engenharia tem sede em Recife e atende Bacabeira com equipe mobilizada para a obra, sem base, filial ou equipe fixa no Maranhão. Em obra nova esse modelo funciona bem porque o trabalho pesado acontece antes: estudo de curto-circuito e seletividade e conferência de parametrização são feitos sobre o projeto, antes do deslocamento, de modo que a equipe chega para executar ensaio, injeção primária, teste de matriz de trip, integração 61850 e energização assistida dentro de uma janela já negociada. Escopo e cronograma são fechados com antecedência, encaixados no plano de energização da obra. É adequado a comissionamento de obra nova, parada programada, retrofit e recomissionamento — e não a atendimento emergencial de mesmo dia.
O comissionamento de relés em Bacabeira é executado dentro do escopo de comissionamento de relés de proteção da Tecnvolt Engenharia, ao lado do estudo de curto-circuito e seletividade, dos ensaios de relé periódicos, da integração IEC 61850 e do SPCS e da análise de oscilografia, com relatório por vão e ART.
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A Tecnvolt Engenharia é certificada nas normas ISO 9001, ISO 14001 e ISO 45001
Plantas químicas, alimentícias, metalúrgicas, mineração e petroquímica.
SPCS da subestação elevadora e proteção do ponto de conexão.
Redes de distribuição MT e subestações dedicadas.
Adequação elétrica e diagnóstico em obras de grande porte.
Continuidade operacional crítica em SE dedicadas.
Operação 24/7, proteção de entrada e seletividade em ambiente agressivo.
Perguntas Frequentes
Sim, e são coisas diferentes. A injeção secundária prova que o relé calcula e atua corretamente a partir do sinal que chega nos seus bornes. Ela não prova de onde vem esse sinal. Se o cabo do TC do bay 3 foi ligado no relé do bay 4, ou se o enrolamento usado foi o de medição em vez do de proteção, ou se a polaridade está invertida em uma fase, a injeção secundária passa em 100% e a instalação segue desprotegida.
A injeção primária aplica corrente no lado de alta e verifica o que o relé enxerga, fechando o caminho físico completo: primário do TC, fiação, borne, relé, saída de trip e disjuntor. Em instalação nova, sem histórico operacional, ela é a única evidência objetiva de que o unifilar corresponde ao que foi construído. Quando o arranjo não permite injeção primária em algum ponto, isso precisa ser registrado como restrição do comissionamento, com a compensação adotada descrita no relatório.
O teste de relé verifica o IED isolado — pickup, curva e tempo por injeção secundária. O comissionamento verifica a cadeia inteira: TC e TP, fiação, IED, matriz de trip, bobina de abertura, disjuntor, sinalização e supervisório. Um relé pode passar em todos os testes e a instalação continuar desprotegida se o fio de trip estiver no cubículo errado ou se a relação de TC parametrizada não for a instalada.
A injeção secundária comprova o comportamento do relé; ela não comprova o que chega até ele. Só a injeção primária fecha o laço do primário do TC até o IED passando pela fiação real, confirmando relação efetiva, polaridade e ausência de derivação esquecida. Em proteção diferencial (87T, 87B) ela é indispensável: é o ensaio que prova a estabilidade em falta externa. Em comissionamento de aceitação a Tecnvolt executa as duas.
Depende do escopo. Um vão de alimentador com 50/51 e 50N/51N, matriz de trip simples e sem injeção primária costuma ser concluído dentro de um turno. Um vão de transformador com 87T, verificação de TCs, injeção primária e integração IEC 61850 normalmente ocupa de um a dois dias. O cronograma é fechado antes da mobilização, a partir do unifilar e da lista de vãos, para caber na janela de parada contratada.
Sim. O comissionamento é feito por função ANSI e por critério de aceitação, não por marca. A Tecnvolt trabalha com IEDs multifunção das principais fabricantes do mercado (SEL, Schneider, Siemens, ABB, GE, Pextron, entre outras), usando o software do próprio fabricante para leitura, conferência e versionamento do arquivo de parametrização.
Não de forma útil. Sem o estudo não existe valor de referência: o ensaio passa a apenas confirmar que o relé reproduz o número que alguém digitou nele, sem qualquer garantia de que esse número protege o equipamento e coordena com a retaguarda. Quando o estudo não existe ou está desatualizado, a Tecnvolt executa o estudo de proteção e seletividade antes do comissionamento e entrega o coordenograma as-built junto do relatório.
Sim. O escopo inclui importação e conferência do SCD, validação dos arquivos CID por IED, verificação das mensagens GOOSE publicadas e efetivamente assinadas, medição do tempo de transferência, ensaio do comportamento na perda do publicador e a subida dos dados ao supervisório por MMS, DNP3 ou Modbus — além do sincronismo de tempo por SNTP ou PTP, sem o qual a oscilografia não pode ser correlacionada entre vãos.
Parcialmente. Conferência documental, análise da parametrização, revisão da matriz de trip e verificação de comunicação e supervisório são feitas com a instalação em operação. Os ensaios de injeção, a verificação de TCs e o teste real de abertura do disjuntor exigem o vão desenergizado e isolado. Por isso o comissionamento é planejado por vão: a instalação nunca precisa parar inteira de uma vez.
Sim. O serviço é entregue com ART do CREA e relatório de comissionamento por vão, contendo valor de projeto, valor medido, desvio, tolerância e veredito por função, matriz de trip verificada, arquivos finais de parametrização versionados, oscilografias em COMTRADE e a lista de pendências classificada por criticidade.
Esta página sobre comissionamento de relés de proteção foi construída com base nas referências técnicas e normativas reconhecidas internacionalmente.