Ensaios de relé, seletividade lógica e comissionamento de SPCS para o Vale da Eletrônica em Santa Rita do Sapucaí-MG — afundamento de tensão e cargas sensíveis.
Pickup, tempo medido e desvio registrados função a função, contra o estudo de ajustes.
Trip real, intertravamentos, falha de disjuntor e cada ponto do SCADA conferido.
Assinados por engenheiro eletricista com CREA ativo, especialista em SEP.
Por Eng. Raphael Leite Menezes Santos
Engenheiro Eletricista — Especialista em Sistema Elétrico de Potência
Tecnvolt Engenharia — base em Recife/PE, atendimento em Santa Rita do Sapucaí e em todo o estado
Santa Rita do Sapucaí é conhecida como Vale da Eletrônica e concentra um dos maiores adensamentos de empresas de eletrônica, telecomunicações e tecnologia do Brasil, sustentado por um ecossistema de ensino técnico e superior consolidado na cidade.
É o caso mais atípico desta série. O comissionamento de SPCS em Santa Rita do Sapucaí não lida com forno, moinho ou laminador — lida com cargas pequenas, sensíveis e caras.
Em planta de eletrônica, o dano raramente vem de um curto-circuito franco. Vem de afundamento de tensão, transitório de manobra e interrupção momentânea — eventos que não queimam nada visível, mas param linha de montagem SMD, corrompem lote em processo, derrubam servidor de teste e travam equipamento de laboratório.
Isso inverte a prioridade do estudo. A pergunta central deixa de ser “a proteção isola a falta?” e passa a ser “em quanto tempo a falta é eliminada e qual afundamento ela impõe ao restante da instalação?”. Um ajuste temporizado na entrada, correto do ponto de vista de coordenação clássica, pode custar mais em produção do que ganha em seletividade.
Na prática, a saída costuma passar por seletividade lógica — bloqueio entre relés por GOOSE em vez de coordenação puramente por tempo —, o que elimina a falta rapidamente sem perder a hierarquia. E o ensaio dessa lógica exige medir o tempo real entre a publicação da mensagem e a atuação, não conferir bit em tela.
Câmaras climáticas, equipamentos de ensaio e salas de servidores exigem interface bem resolvida entre SPCS e energia crítica: lógica de transferência ensaiada de ponta a ponta, verificação de sincronismo (função 25) no retorno da rede e serviço auxiliar de corrente contínua com capacidade comprovada para sustentar o trip.
A maior parte das empresas do polo tem cabine primária de porte médio — e a falha típica é proteção herdada: ajuste que veio do relé anterior ou do que o montador conhecia, sem estudo. Coordenograma real, ensaio funcional das funções habilitadas e trip real no disjuntor resolvem a maior parte do problema, com custo baixo frente ao valor do que está protegido.
A distribuidora de energia de Minas Gerais é a Cemig, com padrão de conexão próprio, distinto do adotado pelas distribuidoras do Nordeste. É esse padrão que define as funções obrigatórias e os ajustes máximos admitidos no ponto de entrega — e instalações conectadas à Rede Básica seguem ainda os Procedimentos de Rede do ONS.
A Tecnvolt tem sede em Recife e atende Minas Gerais com equipe mobilizada para a obra. Vale dizer com clareza como isso funciona, porque em comissionamento de SPCS o modelo é diferente do de um serviço que exige presença diária.
Boa parte do trabalho não acontece em campo: o estudo de curto-circuito e de seletividade, a conferência da parametrização contra o memorial de ajustes, a análise de oscilografia e a revisão da matriz de trip são feitos remotamente, a partir do unifilar, da lista de vãos e dos arquivos de configuração dos IEDs. Isso adianta o diagnóstico e reduz o tempo que a equipe precisa ficar na planta.
O deslocamento acontece para a etapa que exige o vão desenergizado — ensaio funcional dos IEDs, teste ponto a ponto, verificação de TCs e TPs, trip real e energização assistida. Com escopo fechado antes de mobilizar, a janela é usada só no que precisa dela.
Na prática, isso torna a Tecnvolt adequada para parada programada, comissionamento de obra nova, recomissionamento e estudo de proteção em Minas — e não para atendimento emergencial de mesmo dia, que é melhor resolvido por quem está na porta.
Envie o unifilar, a lista de vãos e os modelos de IED. Retornamos com o escopo técnico, o que exige janela de desligamento e a proposta.
Conteúdo técnico e comercial. Ensaios e intervenções em SPCS devem ser realizados por equipe qualificada, com APR, permissão de trabalho, instrumentos calibrados e responsabilidade técnica documentada (ART). Os critérios descritos são conceituais — a aplicação ao seu sistema exige estudo e análise caso a caso.
SPCS é a sigla de Sistema de Proteção, Controle e Supervisão. Reúne os relés multifunção (IEDs), os painéis e a fiação, os circuitos de trip e intertravamento, a comunicação entre equipamentos e o sistema de supervisão. Ele mede a grandeza no campo pelos TCs e TPs, decide abrir ou bloquear um disjuntor e informa a operação pelo SCADA.
Na prática o sistema se organiza em três níveis, e essa separação não é acadêmica — é ela que determina a ordem dos ensaios. O nível 0 é o processo físico. O nível 1 é o vão, onde o IED decide. O nível 2 é a estação, onde a informação vira supervisão e telecomando.

TCs, TPs, disjuntores, seccionadoras e o serviço auxiliar de corrente contínua. Aqui se verifica relação, polaridade, classe e curva de saturação dos transformadores de instrumento, tempo de abertura e resistência de contato do disjuntor, e a capacidade real do banco de baterias.
A implicação operacional é direta: ensaiar o IED antes de validar o TC é ensaiar contra um sinal errado. Se a relação do transformador de corrente está diferente da placa, ou se a polaridade de um secundário está invertida, o relé pode passar em todos os ensaios de injeção secundária e ainda assim atuar errado em campo — porque o número que ele recebe na operação real não é o número que você injetou na bancada.
Os IEDs de cada entrada, transformador, alimentador e barra. É onde se ensaia cada função ANSI habilitada por injeção secundária, registrando pickup, tempo medido e desvio frente ao valor ajustado. É também onde vivem os intertravamentos horizontais entre vãos — em subestação convencional por fiação, em subestação digital por GOOSE.
SCADA local, gateway para o centro de operação, sincronismo de tempo e a engenharia de configuração. Em subestação digital esse nível ganha peso: além da base de dados de supervisão, entram a configuração IEC 61850, o mapeamento de datasets e o comportamento do sistema quando a rede de comunicação falha.
Um intertravamento que depende de GOOSE precisa ser ensaiado medindo o tempo real entre a publicação da mensagem e a atuação — não basta ver o bit mudar de estado na tela. É essa medição que separa uma subestação digital comissionada de uma subestação digital apenas configurada.
Princípio operacional: a ordem correta é nível 0 → nível 1 → nível 2, e cada etapa só é válida quando a anterior fecha sem pendência aberta.
O escopo de um comissionamento de SPCS é dirigido por duas variáveis: quantos vãos existem e quais funções estão habilitadas em cada IED. Um vão de entrada com distância e direcional consome muito mais hora de ensaio que um alimentador com sobrecorrente simples. A matriz abaixo serve para dimensionar isso antes de pedir proposta.

Duas leituras importam aqui. A primeira: a relação definitiva de funções sai do estudo de proteção e do padrão de conexão da concessionária, não de uma tabela genérica — a nomenclatura segue a IEEE C37.2. A segunda: funções diferentes exigem recursos de ensaio diferentes. Sobrecorrente se verifica com injeção monofásica; direcional e distância exigem injeção trifásica com controle de ângulo; diferencial de transformador exige duas ou três correntes simultâneas com defasagem e conteúdo harmônico controlado.
É por isso que orçar ensaio de relé por “unidade de relé” costuma dar errado. O que consome hora de campo é a função habilitada, não a caixa.
Comissionamento sem evidência documental não passa em auditoria de concessionária, não sustenta pleito de seguro e não ajuda a próxima equipe de manutenção. Cada etapa tem entregável definido — e a seguinte só começa quando a anterior fecha sem pendência aberta.

A divisão da figura tem consequência de custo. As etapas 1 a 3 são majoritariamente de escritório e de campo energizado — não consomem janela de parada. As etapas 4 a 6 exigem o vão desenergizado e com bloqueio formal, e é nelas que a hora é cara. Quanto mais fechado o escopo antes da parada, menor a janela necessária.
A etapa que mais evita desligamento indevido é a 5, o teste ponto a ponto. Um IED pode passar em todas as funções e ainda assim não abrir o disjuntor por um borne mal apertado, uma saída mapeada errado ou uma bobina de abertura sem supervisão. É a etapa que separa proteção testada de proteção presumida — e justamente a que costuma ser cortada quando o cronograma aperta.

Duas proteções em série enxergam a mesma falta. Seletividade é garantir que a de jusante atue primeiro e a de montante espere — e que essa espera seja longa o suficiente para o disjuntor abrir e o arco extinguir, mas curta o suficiente para não danificar cabo e transformador.
Para a falta de 2 kA marcada no gráfico, o relé do alimentador atua em cerca de 0,34 s e o da entrada em cerca de 0,72 s. O intervalo de coordenação resultante é de aproximadamente 0,38 s. As curvas foram geradas pela equação IEC de curva Muito Inversa, t = TMS × 13,5 / (I/Is − 1); são valores ilustrativos e não representam ajuste de cliente.
Repare no que acontece à direita do gráfico: na corrente máxima do eixo as curvas se aproximam e a margem cai. Esse é o ponto em que a coordenação por tempo deixa de ser suficiente e entra a função instantânea (50) com bloqueio, ou uma lógica de seletividade lógica publicada por GOOSE. Um estudo que só verifica o CTI na corrente nominal, e não no curto máximo da barra, deixa exatamente esse ponto descoberto.
Ajuste definido sem estudo é chute documentado. Se a instalação já tem estudo válido e aprovado, ensaiamos contra ele; se não tem, ou se está desatualizado frente à configuração atual da rede, o estudo vem antes de mobilizar a equipe de campo — caso contrário não existe referência contra a qual ensaiar.
Conferência da parametrização contra o estudo de ajustes e ensaio de cada função habilitada por injeção secundária: pickup, curva tempo × corrente e tempo de atuação; direcionalidade (67/67N) e ângulo característico; diferencial (87T/87B) com slope, ponto de restrição e bloqueio por 2ª harmônica; distância (21) com alcance das zonas 1, 2 e 3.
Subestação nova, ampliação de vão ou retrofit de painel — do recebimento em obra à energização assistida. Inclui inspeção de painéis, fiação e aterramento, ensaios pré-energização, registro de não conformidades com reteste e o dossiê as-built com ART emitida.
Trip real no disjuntor pelas bobinas 1 e 2, falha de disjuntor (50BF), intertravamentos de seccionadora, bloqueios operacionais, religamento (79), verificação de sincronismo (25) e conferência de cada ponto na base do SCADA e no telecomando.
Modelagem da rede e cálculo das correntes de falta trifásica, bifásica e fase-terra por barra; coordenogramas de fase e de neutro com intervalo coordenador; verificação contra a curva de dano do transformador e do cabo; memorial de cálculo e planilha de ajustes por IED.
Leitura e ajuste de arquivos SCD/CID, mapeamento de datasets, ensaio funcional de publicação e assinatura de mensagens GOOSE, supervisão de perda de mensagem e comportamento em falha de rede, e conferência ponto a ponto da base de supervisão.
Relação, polaridade e erro de relação por enrolamento; curva de excitação e ponto de joelho; resistência do enrolamento secundário e da fiação; e injeção primária para validar toda a malha de medição até o IED. Conheça a plataforma CPC 100 da OMICRON.
Leitura de registros COMTRADE e da sequência de eventos, verificação se a atuação foi correta, indevida ou tardia, correlação entre atuação, ajuste e estudo de proteção, e relatório de causa provável com plano de ação.
Tempo de abertura, fechamento e discordância de polos; resistência de contato e ensaio das bobinas; banco de baterias com tensão de flutuação, impedância e teste de capacidade; retificador e supervisão do circuito de trip.
O dossiê é parte do serviço, não um extra cobrado depois. Entregamos memorial de cálculo do estudo de curto-circuito e de seletividade; coordenogramas de fase e de neutro por barra; planilha de ajustes consolidada por IED e por função ANSI; protocolo de ensaio por relé com valor ajustado, medido e desvio; relatórios de TC, TP, disjuntor, isolamento e serviço auxiliar CC; matriz de trip e resultado dos testes ponto a ponto; lista de pontos do SCADA conferida; registro fotográfico e lista de pendências com status de fechamento; arquivos de configuração dos IEDs com backup da parametrização final; e ART emitida por engenheiro eletricista com CREA ativo.
Sobre limites e responsabilidade: o ensaio comprova o comportamento do sistema nas condições verificadas em campo, na data do ensaio. Não elimina a necessidade de manutenção periódica nem substitui o projeto elétrico. Ajustes propostos são submetidos à aprovação do responsável pela instalação e, quando aplicável, ao padrão de conexão da concessionária.
Antes da proposta levantamos o unifilar, a lista de vãos, os modelos de IED e o estudo de proteção existente. Isso evita o cenário mais caro do comissionamento: descobrir em campo, com a janela de desligamento já aberta, que faltava informação. Para subestações de parques eólicos e usinas fotovoltaicas, o escopo de SPCS se combina com o comissionamento da subestação elevadora.
Solicite um Orçamento
A Tecnvolt Engenharia é certificada nas normas ISO 9001, ISO 14001 e ISO 45001
Plantas químicas, alimentícias, metalúrgicas, mineração e petroquímica.
SPCS da subestação elevadora e proteção do ponto de conexão.
Redes de distribuição MT e subestações dedicadas.
Adequação elétrica e diagnóstico em obras de grande porte.
Continuidade operacional crítica em SE dedicadas.
Operação 24/7, proteção de entrada e seletividade em ambiente agressivo.
Perguntas Frequentes
SPCS é a sigla de Sistema de Proteção, Controle e Supervisão. Reúne os relés multifunção (IEDs), os painéis e a fiação, os circuitos de trip e intertravamento, a comunicação entre os equipamentos e o sistema de supervisão (SCADA) de uma subestação. É o SPCS que detecta a falta, decide abrir o disjuntor correto e informa a operação sobre o que aconteceu.
Sim. A Tecnvolt atende Minas Gerais com equipe mobilizada para a obra. Em SPCS isso funciona bem porque o serviço é, por natureza, mobilizado: o estudo de proteção, a conferência de parametrização e a análise de oscilografia são feitos antes e à distância, e a equipe chega a campo com escopo fechado para a janela contratada.
Envie o unifilar, a lista de vãos e os modelos de IED e retornamos com o escopo técnico e a proposta.
Depende da criticidade da instalação, da tecnologia do relé, do ambiente e da política de manutenção do cliente ou da concessionária. Em plantas industriais é comum encontrar ciclos entre 2 e 5 anos para relés digitais, com intervalos menores para vãos críticos ou ambiente agressivo; relés eletromecânicos e estáticos normalmente exigem intervalos mais curtos.
Além do ciclo periódico existem gatilhos: atuação indevida, modificação de ajuste, ampliação da instalação, troca de transformador ou alteração da fonte de curto-circuito.
Depende do escopo. Ensaios em IEDs, testes de lógica e trip real exigem o vão desenergizado e com bloqueio formal. Já a leitura de oscilografia, a conferência de parametrização, a análise de eventos e boa parte do estudo de proteção são feitas sem desligamento. Na proposta separamos o que exige janela de parada do que não exige, para você planejar o mínimo de indisponibilidade.
Sim. Além da parametrização convencional, atuamos na configuração e validação da comunicação IEC 61850 — leitura e ajuste de arquivos SCD/CID, mapeamento de datasets, ensaio funcional de publicação e assinatura de mensagens GOOSE, comportamento em perda de comunicação e conferência da base de dados do SCADA. O ensaio de um intertravamento por GOOSE inclui a medição do tempo real entre a publicação e a atuação.
Os dois escopos existem separadamente e podem ser contratados juntos. Se a instalação já tem estudo de proteção válido e aprovado, ensaiamos contra ele. Se não tem, ou se está desatualizado frente à configuração atual da rede, executamos o estudo de curto-circuito e de coordenação e entregamos a planilha de ajustes antes de mobilizar a equipe de campo — caso contrário não há referência contra a qual ensaiar.
Sim. O serviço é executado sob responsabilidade de engenheiro eletricista com CREA ativo, com emissão de ART para o escopo contratado. O dossiê de comissionamento reúne os protocolos de ensaio com valores medidos, os relatórios de equipamento, a matriz de trip validada, o registro fotográfico e a lista de pendências, em formato aceito por auditoria de concessionária e de seguradora.
Não há preço de tabela: o custo é dirigido por quantidade de vãos, quantidade e modelo de IEDs, funções habilitadas por relé, existência de estudo de proteção válido, distância da obra e regime de trabalho (turno normal, noturno ou parada programada). Envie o unifilar, a lista de vãos e os modelos de relé pelo WhatsApp e retornamos com escopo e proposta.
Esta página sobre ensaios de relé e comissionamento de SPCS foi construída com base nas referências técnicas e normativas reconhecidas internacionalmente.