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Aterramento e tensões de passo e toque na usina solar
A segurança de pessoas na usina e na subestação depende do aterramento.

O aterramento é, muitas vezes, a parte invisível da usina — enterrada no solo, fora da vista. Mas é dele que depende a segurança das pessoas quando ocorre uma falta. Em uma usina solar com subestação, uma corrente de falta pode elevar potenciais perigosos no solo e nas estruturas; é a malha de aterramento que dispersa essa corrente e mantém as tensões a que uma pessoa pode ficar exposta dentro de limites toleráveis.

Este artigo integra a série técnica sobre comissionamento de usinas solares. Aqui tratamos do aterramento e das tensões de passo e de toque: por que medir, como se mede a impedância da malha e com o que comparar os resultados para garantir a segurança de quem circula na usina e na subestação.

Por Raphael Leite Menezes Santos — Especialista em Sistema Elétrico de Potência · Tecnvolt Engenharia · Tempo de leitura: 13–17 min

Resumo técnico

A malha de aterramento dispersa a corrente de falta e limita os potenciais perigosos. O comissionamento mede a impedância da malha pelo método da queda de potencial, com frequência variável para rejeitar o ruído do pátio e leitura no patamar de cerca de 62%. Mede também as tensões de passo e de toque nos pontos críticos — cercas, portões, bases de equipamentos — e as compara com os limites toleráveis, função do tempo de falta e do solo (IEEE 80 / NBR). Excedeu os limites, corrige-se a malha. Confirme sempre a edição vigente das normas.

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1. Por que medir

Medir o aterramento não é formalidade: é o que comprova que a usina pode proteger pessoas em uma situação de falta.

Medição da malha de aterramento pelo método da queda de potencial
Medição da malha de aterramento pelo método da queda de potencial.

Quando ocorre uma falta — por exemplo, um curto-circuito para a terra na subestação —, uma corrente elevada precisa de um caminho para se dissipar. É a malha de aterramento que faz esse trabalho: ela dispersa a corrente de falta no solo e, ao fazê-lo, limita os potenciais perigosos que surgem na superfície e nas estruturas metálicas. Sem uma malha adequada, uma pessoa próxima poderia ficar exposta a tensões capazes de causar choque grave. Por isso o comissionamento mede a malha e verifica que ela cumpre essa função de segurança antes de a usina entrar em operação.

2. Impedância de malha

Tensões de passo e de toque: por que medir e os limites
Tensões de passo e de toque: por que medir e os limites.

A impedância da malha é medida pelo método da queda de potencial: injeta-se uma corrente conhecida entre a malha e um eletrodo de corrente afastado, e mede-se a tensão em um eletrodo de potencial deslocado ao longo da distância. Usa-se frequência variável (diferente da frequência da rede) para rejeitar o ruído elétrico do pátio, que poderia mascarar a leitura. A leitura representativa da impedância da malha é obtida no patamar de cerca de 62% da distância entre a malha e o eletrodo de corrente, onde a curva tende a estabilizar. Esse procedimento fornece o valor que servirá de base para avaliar a segurança. Confirme sempre os detalhes e critérios na edição vigente das normas.

3. Tensões de passo e de toque

Mais importante do que um valor único de impedância são as tensões de passo e de toque. A tensão de toque é a diferença de potencial entre um ponto que a pessoa toca (uma estrutura, um portão) e o solo onde ela pisa; a tensão de passo é a diferença de potencial entre os dois pés de uma pessoa que caminha sobre o solo durante a falta.

No comissionamento, mede-se essas tensões nos pontos críticos — cercas, portões, bases de equipamentos, locais de circulação — e compara-se com os limites toleráveis. Esses limites não são fixos: dependem do tempo de falta (quanto mais rápido a proteção atua, maior a tensão tolerável) e das características do solo e da camada superficial, conforme o IEEE 80 / NBR. Se os valores medidos excedem os limites, a malha precisa de correção. Confirme sempre a edição vigente das normas.

Princípio orientador

Não basta um bom valor de impedância: o que protege as pessoas é a tensão de passo e de toque dentro dos limites toleráveis nos pontos onde elas circulam. Meça nos locais críticos, compare com os limites vigentes — função do tempo de falta e do solo — e corrija a malha sempre que necessário.

Aviso técnico

As medições de aterramento ocorrem em usina com partes energizadas — strings podem estar energizadas sempre que há sol, e a subestação opera em alta tensão. Devem ser executadas por profissional habilitado e autorizado, com treinamento de SEP, seguindo a NR-10, com desenergização, bloqueio, teste de ausência de tensão e aterramento quando aplicável.

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Como a Tecnvolt Engenharia executa esse serviço

A Tecnvolt Engenharia mede e avalia o aterramento de usinas solares e subestações: impedância da malha pelo método da queda de potencial com frequência variável, medição das tensões de passo e de toque nos pontos críticos e comparação com os limites toleráveis (IEEE 80 / NBR), indicando correções quando necessário — consolidando tudo em dossiê com ART. Atuamos em campo na região Nordeste, em usinas e geração distribuída.

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Perguntas frequentes

Como se mede a impedância da malha?

Pelo método da queda de potencial: injeta-se uma corrente conhecida entre a malha e um eletrodo afastado e mede-se a tensão em um eletrodo de potencial deslocado, usando frequência variável para rejeitar o ruído do pátio e lendo no patamar de cerca de 62%.

Qual a diferença entre passo e toque?

A tensão de toque é a diferença de potencial entre um ponto que a pessoa toca e o solo onde pisa; a tensão de passo é a diferença de potencial entre os dois pés de quem caminha sobre o solo durante a falta.

Com o que comparar as tensões medidas?

Com os limites toleráveis de passo e de toque, que dependem do tempo de falta e das características do solo, conforme o IEEE 80 / NBR. Confirme sempre a edição vigente das normas.

O que fazer se exceder os limites?

A malha de aterramento precisa de correção — por exemplo, reforço da malha, ajuste de espaçamentos, brita na camada superficial ou outras medidas de projeto — até que as tensões de passo e de toque fiquem dentro dos limites toleráveis.

Referências técnicas

  1. IEEE Std 80 — Guia de segurança em aterramento de subestações CA.
  2. IEEE Std 81 — Medição de resistência/impedância de aterramento.
  3. ABNT NBR 15751 e NBR 15749 — sistemas de aterramento e medição de resistência.
  4. NR-10 — Segurança em instalações e serviços em eletricidade (e SEP).

As normas são citadas pelo escopo. Confirme sempre a edição vigente junto à fonte oficial e às exigências do agente da rede.