
A malha de aterramento é o sistema de segurança que está, literalmente, sob os pés de quem trabalha na subestação. Enterrada no solo do pátio, ela recebe e dispersa a corrente de uma falta à terra, limita os potenciais perigosos na superfície e dá referência ao sistema de proteção. É invisível no dia a dia, mas é dela que depende a integridade das pessoas no momento de uma falta — exatamente quando tudo mais está dando errado.
Por ser enterrada, a malha não se inspeciona facilmente: corrosão, conexões rompidas e mudanças no solo acontecem fora da vista. Este artigo, parte da série técnica da Tecnvolt sobre manutenção de subestações de 69 kV, explica a função da malha, como medi-la corretamente — com método de queda de potencial e frequência variável — e como avaliar tensões de passo e de toque e manter as conexões.
Por Raphael Leite Menezes Santos — Especialista em Sistema Elétrico de Potência · Tecnvolt Engenharia · Tempo de leitura: 13–17 min
Resumo técnico
A malha de aterramento dispersa a corrente de falta, limita os potenciais perigosos e serve de referência para a proteção. Mede-se a impedância de malha pelo método da queda de potencial, preferencialmente em frequência variável para rejeitar o ruído do pátio energizado (com instrumentos como o CPC 100 e o acessório CP CU1), posicionando a sonda no patamar de cerca de 62%; o resultado é uma impedância, não apenas uma resistência. Avaliam-se ainda as tensões de passo e de toque contra os limites de norma e inspecionam-se as conexões, atentando à corrosão em solos agressivos.
Quero medir a malha de aterramento da minha SE 69 kV
1. Função da malha
A malha de aterramento tem três funções que se sustentam mutuamente. A primeira é dispersar a corrente de falta à terra: quando ocorre um curto fase-terra, a corrente precisa de um caminho de baixa impedância para retornar à fonte e permitir que a proteção atue.

A segunda função é limitar os potenciais perigosos na superfície durante a falta. Ao circular pela terra, a corrente cria diferenças de potencial; a malha, bem dimensionada, mantém essas diferenças dentro de limites suportáveis pelo corpo humano, protegendo quem está no pátio. A terceira é servir de referência de potencial para os equipamentos e para o sistema de proteção, garantindo que todos os pontos aterrados estejam ao mesmo potencial em regime normal. Uma malha degradada compromete as três funções de uma vez — e, por estar enterrada, sua degradação passa despercebida até a medição.
2. Medição

A medição da malha de uma subestação grande usa o método da queda de potencial: injeta-se uma corrente entre a malha e um eletrodo de corrente distante, e mede-se a tensão resultante com uma sonda de potencial deslocada ao longo de uma linha. O valor correto é lido quando a sonda está no patamar da curva de tensão, tipicamente em torno de 62% da distância ao eletrodo de corrente, ponto em que a curva é plana e o efeito de acoplamento entre eletrodos se anula.
O grande desafio em uma SE energizada é o ruído: o pátio está cheio de correntes em 60 Hz que poluem a medição. Por isso a técnica moderna usa frequência variável — injeta-se corrente em frequências diferentes de 60 Hz e seus harmônicos, e o instrumento filtra apenas a sua própria injeção, rejeitando o ruído da rede. Equipamentos como o CPC 100 com o acessório CP CU1 fazem exatamente isso. Outro ponto importante: o resultado de uma malha de subestação é uma impedância, com parte resistiva e reativa, e não apenas uma resistência — tratá-lo como impedância é o que torna a medição representativa do comportamento real na falta.
3. Tensões de passo e toque e manutenção
Mais importante que o valor isolado de impedância é verificar se as tensões de passo e de toque ficam dentro dos limites de segurança. A tensão de passo é a que aparece entre os dois pés de uma pessoa caminhando no pátio durante a falta; a de toque é a que aparece entre a mão que toca uma estrutura e os pés. Os limites toleráveis dependem do tempo de atuação da proteção e das condições do solo, e são avaliados conforme critérios de normas como a IEEE 80 e as NBR aplicáveis. É essa verificação que confirma se a malha realmente protege as pessoas.
A manutenção da malha inclui inspecionar e medir a continuidade das conexões entre a malha e os equipamentos, estruturas e cercas — uma conexão rompida deixa um equipamento sem aterramento efetivo, mesmo com a malha íntegra. E há que se atentar à corrosão: em solos agressivos, ácidos ou salinos, os condutores e conexões enterrados se deterioram com o tempo, aumentando a impedância e abrindo caminhos. A medição periódica e a verificação de continuidade são o único modo de flagrar essa degradação invisível.
Boa prática
Meça a malha em frequência variável para rejeitar o ruído do pátio energizado e leia o valor no patamar de aproximadamente 62%. Não se contente com a impedância de malha: verifique as tensões de passo e de toque contra os limites de norma e meça a continuidade das conexões aos equipamentos e estruturas. É a combinação desses três resultados que comprova a segurança real da instalação.
Aviso técnico
Medir a malha de uma SE energizada envolve tensões induzidas e a possibilidade de elevação de potencial durante uma falta. O serviço deve ser executado por profissional habilitado e autorizado, com treinamento em Sistema Elétrico de Potência (SEP), seguindo a NR-10. Manuseio de condutores de aterramento e quaisquer intervenções nos equipamentos exigem desenergização, bloqueio, teste de ausência de tensão e aterramento temporário.
Falar com um especialista em malha de aterramento
Como a Tecnvolt Engenharia executa esse serviço
A Tecnvolt Engenharia mede e avalia a malha de aterramento de subestações de 69 kV pelo método da queda de potencial em frequência variável (com instrumentos como o CPC 100 e o acessório CP CU1), determinando a impedância de malha, avaliando tensões de passo e de toque contra os limites de norma e inspecionando a continuidade e a corrosão das conexões, tudo consolidado em laudo técnico com ART. Atuamos em campo na região Nordeste, em subestações de indústrias, geração e concessionárias.
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Perguntas frequentes
Para que serve a malha de aterramento?
Para dispersar a corrente de falta à terra, limitar os potenciais perigosos na superfície durante a falta — protegendo as pessoas no pátio — e servir de referência de potencial para os equipamentos e o sistema de proteção. As três funções dependem da integridade da malha.
Como medir a impedância da malha?
Pelo método da queda de potencial: injeta-se corrente entre a malha e um eletrodo distante e mede-se a tensão com uma sonda no patamar da curva, tipicamente em torno de 62% da distância. O resultado é uma impedância, com parte resistiva e reativa.
Por que medir em frequência variável?
Porque o pátio energizado está cheio de ruído em 60 Hz que poluiria a medição. Injetando corrente em frequências diferentes de 60 Hz e seus harmônicos, o instrumento filtra apenas a própria injeção e rejeita o ruído da rede, dando um resultado confiável mesmo com a SE em operação.
O que são tensões de passo e toque?
A tensão de passo aparece entre os dois pés de uma pessoa caminhando no pátio durante a falta; a de toque, entre a mão que toca uma estrutura e os pés. Ambas devem ficar dentro de limites de segurança que dependem do tempo de proteção e do solo, conforme as normas aplicáveis.
Referências técnicas
- IEEE Std 80 — Guide for Safety in AC Substation Grounding.
- IEEE Std 81 — Guide for Measuring Earth Resistivity, Ground Impedance and Earth Surface Potentials.
- ABNT NBR 15749 / NBR 15751 — medição de aterramento e aterramento de subestações.
- NR-10 — Segurança em instalações e serviços em eletricidade (e SEP).
As normas são citadas pelo escopo. Confirme sempre a edição vigente junto à fonte oficial e às exigências regulatórias do setor.
