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Barramentos e conexões em subestação de 69 kV
Conexões são a causa mais comum de pontos quentes em uma subestação.

Barramentos e conexões formam o esqueleto elétrico da subestação: por eles flui toda a corrente que entra e sai da SE 69 kV. São componentes aparentemente simples — condutores e junções aparafusadas ou prensadas — mas é justamente nas conexões que se concentra a maior parte dos defeitos térmicos de uma subestação. Uma junção mal apertada ou oxidada vira um ponto quente que, ignorado, evolui para falha.

Este artigo, parte da série técnica da Tecnvolt sobre manutenção de subestações de 69 kV, trata de como manter barramentos e conexões: por que as junções falham, como detectá-las com termografia e medição de resistência, e como executar o reaperto da forma correta, com torque controlado e os cuidados específicos das conexões de alumínio.

Por Raphael Leite Menezes Santos — Especialista em Sistema Elétrico de Potência · Tecnvolt Engenharia · Tempo de leitura: 13–17 min

Resumo técnico

As conexões são a causa mais comum de pontos quentes na SE porque aperto insuficiente, oxidação e ciclos térmicos elevam a resistência de contato e provocam aquecimento. A manutenção combina termografia sob carga, que detecta o aquecimento à distância, com a medição de resistência de junta em micro-ohms, que confirma a qualidade do contato. O reaperto deve seguir o torque do fabricante, com superfícies limpas e antioxidante nas conexões de alumínio, e ser verificado por nova termografia após o serviço.

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1. Por que as conexões falham

Toda junção elétrica tem uma resistência de contato. Quando essa resistência é baixa e estável, a conexão praticamente não aquece. O problema surge quando ela cresce — e há três caminhos principais para isso.

Barramentos e conexões: termografia, reaperto, resistência e antioxidante.
Barramentos e conexões: termografia, reaperto, resistência e antioxidante.

O primeiro é o aperto insuficiente, que reduz a área real de contato entre as superfícies e aumenta a resistência. O segundo é a oxidação: as superfícies metálicas formam uma camada de óxido que isola parcialmente o contato — efeito especialmente forte no alumínio, cujo óxido é resistivo e se reforma rapidamente. O terceiro são os ciclos térmicos: o aquecimento e o resfriamento repetidos dilatam e contraem o metal, afrouxando a junção ao longo do tempo. Os três se realimentam: maior resistência gera mais calor, o calor agrava a oxidação e o afrouxamento, e a junção entra em um ciclo de degradação que termina em ponto quente severo e, no limite, em rompimento do contato.

2. Termografia e resistência de junta

Reaperto de conexões: boas práticas de torque e verificação.
Reaperto de conexões: boas práticas de torque e verificação.

A termografia é a técnica de detecção por excelência das conexões defeituosas, porque é feita com a SE energizada e sob carga — é justamente a passagem de corrente que aquece a junção com resistência elevada. A câmera revela o ponto quente em relação às conexões vizinhas, sem necessidade de desligar. É o melhor método de varredura periódica de toda a SE.

A medição de resistência de junta complementa, quantificando o que a termografia indica. Com a conexão desligada, mede-se a resistência através do contato, na faixa de micro-ohms; um valor elevado em relação a junções equivalentes confirma a má qualidade do contato. Enquanto a termografia diz onde olhar com a SE energizada, a medição de resistência confirma objetivamente a condição da junta e serve de critério para o reaperto.

3. Reaperto correto

Reapertar não é simplesmente apertar mais. O torque deve seguir o valor especificado pelo fabricante do conector ou do barramento: torque insuficiente deixa o contato frouxo; torque excessivo pode deformar o material e, no limite, romper o parafuso ou o terminal. Por isso usa-se torquímetro calibrado, e não a força do operador.

Antes de reapertar, as superfícies devem ser limpas, removendo a camada de óxido e sujeira que aumenta a resistência. Em conexões de alumínio, aplica-se composto antioxidante, que preenche as microcavidades do contato e impede a reformação rápida da camada de óxido — um cuidado essencial, porque o óxido de alumínio é isolante e se forma quase instantaneamente ao ar. Concluído o reaperto, faz-se uma nova termografia com a SE de volta em carga para confirmar que o ponto quente desapareceu — só assim se comprova que a intervenção resolveu o problema.

Boa prática

Trate o reaperto como um ciclo fechado: termografia para localizar, desligamento e limpeza das superfícies, reaperto com torquímetro calibrado no valor do fabricante, antioxidante no alumínio e termografia de confirmação após religar. Sem a termografia final, você não sabe se realmente eliminou o ponto quente ou apenas o adiou.

Aviso técnico

A termografia é feita com a SE energizada, mantendo as distâncias de segurança. Limpeza, reaperto e medição de resistência exigem a conexão desenergizada. Todo o serviço deve ser executado por profissional habilitado e autorizado, com treinamento em Sistema Elétrico de Potência (SEP), seguindo a NR-10, com desenergização, bloqueio, teste de ausência de tensão e aterramento temporário antes de qualquer contato.

Falar com um especialista em barramentos e conexões

Como a Tecnvolt Engenharia executa esse serviço

A Tecnvolt Engenharia mantém barramentos e conexões de subestações de 69 kV combinando termografia sob carga, medição de resistência de junta em micro-ohms e reaperto com torque do fabricante, com limpeza das superfícies, antioxidante nas conexões de alumínio e termografia de confirmação após o serviço, tudo consolidado em laudo técnico com ART. Atuamos em campo na região Nordeste, em subestações de indústrias, geração e concessionárias.

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Perguntas frequentes

Por que conexões esquentam?

Porque a resistência de contato aumenta, e a passagem de corrente sobre essa resistência gera calor. As causas são aperto insuficiente, oxidação das superfícies e ciclos térmicos que afrouxam a junção ao longo do tempo. O calor agrava o problema, em um ciclo de degradação.

Como detectar conexão frouxa sem desligar?

Com termografia. Feita com a SE energizada e sob carga, a câmera revela o aquecimento da junção defeituosa em relação às vizinhas. É a técnica padrão de varredura periódica e não exige desligamento da subestação.

Qual o torque correto de reaperto?

O torque especificado pelo fabricante do conector ou barramento, aplicado com torquímetro calibrado. Torque insuficiente deixa o contato frouxo; torque excessivo deforma o material ou rompe o parafuso. Confirme sempre o valor na documentação do fabricante.

Por que usar antioxidante em alumínio?

Porque o óxido de alumínio é isolante e se forma quase instantaneamente ao ar, elevando a resistência de contato. O composto antioxidante preenche as microcavidades da junta e impede a reformação rápida desse óxido, mantendo o contato estável.

Referências técnicas

  1. IEEE C57.152 — orientações de inspeção e ensaios de campo (na parte aplicável a conexões e termografia).
  2. NR-10 — Segurança em instalações e serviços em eletricidade (e SEP).
  3. Boas práticas de conexões elétricas (literatura técnica de fabricantes e de manutenção).

As normas são citadas pelo escopo. Confirme sempre a edição vigente junto à fonte oficial e às exigências regulatórias do setor.