arrow-up
Equipe da Tecnvolt em comissionamento de subestação com o CPC 100 da OMICRON
Equipe da Tecnvolt Engenharia em campo com o CPC 100 da OMICRON (maletas amarelas) durante comissionamento de subestação.

O transformador de corrente (TC) é o olho da proteção e da medição: ele reduz a corrente do circuito principal a um valor seguro e proporcional para os relés e medidores. Se a relação do TC estiver errada, toda a cadeia a jusante erra — a proteção pode não atuar, a medição fatura errado. Por isso, o ensaio de relação é um dos mais fundamentais do comissionamento, e o CPC 100 o executa de forma rápida e precisa.

Neste artigo explico como o CPC 100 ensaia a relação de TCs, os métodos envolvidos e os critérios de aceitação à luz da IEC 61869-2 e da IEEE C57.13.

Por Raphael Leite Menezes Santos — Especialista em Sistema Elétrico de Potência · Tecnvolt Engenharia · Tempo de leitura: 13–17 min

Ensaio de relação de TC com o CPC 100.
O CPC 100 injeta corrente no primário e mede o secundário (ou usa o método de tensão) para obter a relação do TC.

Resumo técnico

A relação de um TC é a razão entre as correntes primária e secundária, igual à razão de espiras. O CPC 100 mede a relação por injeção de corrente no primário (e leitura no secundário) ou pelo método de tensão (aplicando tensão no secundário e medindo a induzida no primário, comum em TCs de barra). A relação medida é comparada à de placa; o desvio deve respeitar a classe de exatidão (IEC 61869-2 / IEEE C57.13). Mede-se também o erro de relação e o deslocamento de fase.

Quero ensaiar a relação dos meus TCs com o CPC 100

1. O que é a relação do TC

A relação nominal de um TC (por exemplo, 600/5 A) indica que, com 600 A no primário, circulam 5 A no secundário. Essa razão é determinada pelo número de espiras e deve corresponder ao valor de placa. Um TC tem frequentemente múltiplos núcleos — uns dedicados à medição (alta exatidão na faixa nominal) e outros à proteção (capazes de reproduzir correntes de falta elevadas) —, e cada um é ensaiado separadamente.

Relação e desviorelação = Iprim / Isec = Nsec / Nprim  |  desvio (%) = 100·(medida − placa)/placa

2. Os métodos do CPC 100

O CPC 100 oferece dois caminhos. No método de injeção de corrente, aplica-se corrente no primário (com booster, se necessário) e mede-se o secundário — direto e intuitivo. No método de tensão, aplica-se tensão no secundário e mede-se a tensão induzida no primário; é prático para TCs de barra e relações altas, onde injetar a corrente primária plena seria inviável. Em ambos, o equipamento calcula a relação, o erro de relação e o deslocamento de fase, comparando-os à classe.

3. Critérios de aceitação

Relação de TC: o que avaliar segundo IEC 61869 e IEEE C57.13.
Além da relação, avaliam-se o erro de relação e de fase por classe, e ensaia-se cada núcleo separadamente.

A classe de exatidão do TC (por exemplo, 0,5 para medição, 5P ou 10P para proteção) define os limites de erro de relação e de deslocamento de fase. O ensaio confirma se o TC atende à sua classe na faixa de corrente de interesse. Desvios além do permitido indicam espiras/derivação incorretas, ligação errada ou problema no núcleo. Tudo é comparado à placa e registrado no relatório de comissionamento.

Boa prática

Ensaie todos os núcleos e todas as derivações (taps) do TC, identificando claramente cada um. Use o método de tensão para relações altas e TCs de barra. Desmagnetize o núcleo após ensaios CC anteriores. Compare sempre com a placa e com a classe — não apenas com ‘um número esperado’.

Aviso técnico

Nunca deixe o secundário de um TC energizado em circuito aberto — surgem tensões perigosas e risco de dano. Durante o ensaio, o circuito deve estar isolado da operação, desenergizado e aterrado conforme a NR-10, e os secundários não utilizados, adequadamente curto-circuitados/aterrados.

Pedir ensaio de relação de TC

Como a Tecnvolt Engenharia utiliza o CPC 100

A Tecnvolt Engenharia ensaia a relação de TCs com o CPC 100 pelos métodos de injeção e de tensão, conforme o caso, avaliando erro de relação e de fase por núcleo e por derivação e comparando à classe e à placa. Entregamos o resultado em relatório de comissionamento com ART. Atendemos a região Nordeste.

Falar com a Tecnvolt sobre ensaios de TC

Perguntas frequentes

Como o CPC 100 mede a relação de um TC?

Por injeção de corrente no primário (lendo o secundário) ou pelo método de tensão (aplicando tensão no secundário e medindo a induzida no primário). Em ambos, calcula a relação, o erro de relação e o deslocamento de fase, comparando à placa.

Por que ensaiar cada núcleo do TC separadamente?

Porque um TC tem núcleos de medição e de proteção com características e classes diferentes. Cada um deve atender à sua classe na faixa de interesse, e por isso é ensaiado individualmente.

Qual o desvio aceitável na relação de um TC?

Depende da classe de exatidão (por exemplo, 0,5 para medição, 5P/10P para proteção), que define os limites de erro de relação e de fase. O ensaio confirma se o TC atende à classe na faixa de corrente de interesse.

Posso abrir o secundário de um TC para ensaiar?

Nunca com o TC energizado — o secundário aberto desenvolve tensões perigosas. O ensaio é feito com o circuito desenergizado, isolado e aterrado, e os secundários não utilizados devidamente curto-circuitados.

Referências técnicas

  1. IEC 61869-2 — Additional requirements for current transformers.
  2. IEEE C57.13 — Requirements for Instrument Transformers.
  3. OMICRON — documentação técnica pública do CPC 100 (ensaios de TC).

As normas e marcas são citadas para fins técnicos e educativos. Confirme a edição vigente e as especificações na fonte oficial.