De nada adianta captar e conduzir a descarga se ela não tiver para onde ir. O subsistema de aterramento é o destino final da corrente: ele a dispersa no solo. Mas dispersar dezenas de quiloampères em microssegundos é diferente de escoar uma corrente de falta de 60 Hz — o que importa aqui não é apenas a ‘resistência’ medida com terrômetro, e sim a impedância de impulso e a capacidade de equalizar potenciais. Um aterramento de SPDA bem projetado protege contra tensões de passo e de toque e integra-se ao aterramento elétrico da edificação.
Neste artigo apresento os dois arranjos de aterramento previstos na NBR 5419-3 — o arranjo A (eletrodos individuais por descida) e o arranjo B (anel ou malha) —, os critérios de projeto e por que a integração de todos os aterramentos é inegociável.
Por Raphael Leite Menezes Santos — Especialista em Sistema Elétrico de Potência · Tecnvolt Engenharia · Tempo de leitura: 14–18 min

Resumo técnico
A NBR 5419-3 prevê dois arranjos: o A, com eletrodos (hastes/condutores radiais) ligados a cada descida, e o B, com um anel externo (≥80% em contato com o solo) ou malha. O objetivo é baixa impedância de impulso e equalização — não apenas um valor de resistência. O arranjo B integra naturalmente a equipotencialização e é preferido em solos difíceis. Todos os aterramentos da edificação devem ser interligados em um sistema único.Quero projetar o aterramento do meu SPDA
1. Os dois arranjos

Arranjo A: consiste em eletrodos de aterramento — hastes verticais ou condutores radiais horizontais — ligados a cada descida. O comprimento mínimo de cada eletrodo depende da resistividade do solo e do nível de proteção. É adequado para estruturas menores e quando o solo permite atingir o desempenho desejado.
Arranjo B: consiste em um eletrodo em anel externo à estrutura (com pelo menos 80% de seu comprimento em contato com o solo) ou em uma malha. É o arranjo preferido em estruturas maiores e solos de alta resistividade, e tem a vantagem de já constituir a base da equipotencialização, equalizando o potencial em torno da edificação e reduzindo tensões de passo e de toque.
2. Impedância de impulso, não só resistência
O terrômetro mede a resistência em baixa frequência, mas a descarga é um fenômeno de altíssima frequência. Em um eletrodo muito longo, a parte distante ‘não enxerga’ o impulso a tempo — predomina a indutância. Por isso, vários eletrodos curtos e bem distribuídos dispersam o impulso melhor do que um único eletrodo muito longo, mesmo que ambos tenham a mesma resistência medida.
Isso não significa ignorar a resistência — ela continua sendo um indicador útil e um requisito em muitos casos — mas o projeto deve priorizar a geometria que dispersa bem o impulso e equaliza potenciais.
3. Critérios e integração

O ponto mais importante e mais negligenciado: o aterramento do SPDA deve ser único e interligado ao aterramento elétrico (da instalação de baixa tensão), de telecom e de qualquer outro sistema. Manter aterramentos separados cria diferenças de potencial perigosas durante a descarga — exatamente o que se quer evitar. A NBR 5419 e a NBR 5410 convergem nesse princípio de aterramento único e equipotencializado.
Boa prática
Meça a resistividade do solo (Wenner) antes de projetar. Prefira o arranjo B (anel) em solos de alta resistividade e estruturas maiores — ele já equaliza o potencial. Distribua eletrodos em vez de usar um único muito longo. E, acima de tudo, interligue todos os aterramentos da edificação em um sistema único.
Aviso técnico
Solos de alta resistividade não devem ser ‘corrigidos’ apenas com produtos químicos agressivos, que se degradam e corroem eletrodos. A melhoria deve vir da geometria do aterramento e de materiais adequados. O comprimento mínimo dos eletrodos por NP e resistividade consta da NBR 5419-3.
Pedir projeto de aterramento de SPDA
Como a Tecnvolt Engenharia executa esse serviço
A Tecnvolt Engenharia mede a resistividade do solo, escolhe o arranjo de aterramento adequado (A ou B) e dimensiona os eletrodos para baixa impedância de impulso e equalização, sempre interligando o aterramento do SPDA aos demais aterramentos da edificação. Realizamos as medições de comprovação e documentamos em laudo. Atendemos a região Nordeste.
Falar com a Tecnvolt sobre aterramento de SPDA
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre os arranjos A e B de aterramento?
O arranjo A usa eletrodos individuais (hastes ou condutores radiais) ligados a cada descida; o arranjo B usa um anel externo (≥80% em contato com o solo) ou malha. O B é preferido em solos difíceis e estruturas maiores e já constitui a base da equipotencialização.
O aterramento do SPDA precisa ter resistência baixa?
A resistência é um indicador útil, mas no SPDA o que mais importa é a baixa impedância de impulso e a equalização de potenciais. Vários eletrodos curtos e bem distribuídos dispersam o impulso melhor do que um único eletrodo muito longo.
Posso ter aterramentos separados para SPDA e elétrica?
Não. Aterramentos separados criam diferenças de potencial perigosas durante a descarga. A NBR 5419 e a NBR 5410 exigem um aterramento único e equipotencializado, interligando todos os sistemas.
Como melhorar o aterramento em solo de alta resistividade?
Pela geometria: anel/malha (arranjo B) e distribuição de eletrodos, além de materiais adequados à corrosão. Produtos químicos agressivos não são solução, pois se degradam e corroem os eletrodos com o tempo.
Referências técnicas
- ABNT NBR 5419-3 — Danos físicos a estruturas (arranjos de aterramento A e B).
- ABNT NBR 5410 — Instalações elétricas de baixa tensão (aterramento e equipotencialização).
- IEC 62305-3 — Physical damage to structures and life hazard.
- ABNT NBR 7117 — Medição de resistividade e determinação da estratificação do solo.
As normas são citadas pelo escopo. Confirme sempre a edição vigente junto à fonte oficial (ABNT, IEC) antes de aplicar critérios.
