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As descidas são o elo entre a captação e o aterramento. Elas conduzem a corrente de descarga do topo da estrutura até o solo, e a forma como são projetadas tem efeito direto sobre a segurança: descidas em número adequado, distribuídas simetricamente e com caminhos curtos repartem a corrente, reduzem a elevação de potencial e diminuem o risco de centelhamento lateral para dentro da edificação. Descidas escassas ou com percurso tortuoso concentram corrente e criam pontos de tensão perigosos.

Neste artigo trato do projeto das descidas: por que são preferencialmente múltiplas, qual o espaçamento por nível de proteção, como rotear os condutores e quais cuidados de execução garantem que a corrente chegue ao solo sem desvios perigosos.

Por Raphael Leite Menezes Santos — Especialista em Sistema Elétrico de Potência · Tecnvolt Engenharia · Tempo de leitura: 13–17 min

Condutor de descida do SPDA na fachada de uma edificação.
A descida na fachada conduz a corrente do captor ao aterramento — caminhos curtos, diretos e em número adequado reduzem a sobretensão.

Resumo técnico

As descidas conduzem a corrente do captor ao aterramento. Devem ser múltiplas (no mínimo duas), distribuídas simetricamente pelo perímetro, com espaçamento por nível de proteção (referência: ~10 m no NP I até ~20 m no NP IV). O roteamento deve ser o mais curto e retilíneo possível, evitando laços e curvas fechadas. Múltiplas descidas dividem a corrente, reduzem a indutância equivalente e a distância de separação necessária.

Quero projetar as descidas do meu SPDA

1. Por que múltiplas descidas

Quando a corrente de descarga se divide entre várias descidas, cada condutor conduz uma fração do total. Isso reduz a queda de tensão indutiva ao longo do percurso e, com ela, o risco de a corrente ‘saltar’ lateralmente para instalações próximas (centelhamento). Além disso, mais descidas reduzem a distância de separação necessária entre o SPDA e as partes metálicas internas.

Subsistema de descidas: múltiplas descidas a partir do anel de captação.
Descidas múltiplas a partir do anel de captação dividem a corrente e reduzem a sobretensão e o risco de centelhamento.

Por isso a norma exige, em regra, pelo menos duas descidas, distribuídas pelo perímetro de modo que a corrente tenha sempre um caminho próximo, qualquer que seja o ponto de incidência.

2. Espaçamento por nível de proteção

Espaçamento das descidas por nível de proteção.
O espaçamento máximo entre descidas diminui com o nível de proteção — mais descidas para NP mais exigente.

O número de descidas decorre do espaçamento máximo ao longo do perímetro, que depende do NP. Como referência da NBR 5419-3, o espaçamento típico vai de cerca de 10 m (NP I e II) a 15 m (NP III) e 20 m (NP IV). Quanto mais exigente o nível, mais descidas — e melhor a divisão da corrente.

Número de descidas (conceito)nº ≈ perímetro ÷ espaçamento máximo do NP  (mínimo de 2)

3. Roteamento

O caminho ideal de uma descida é vertical, curto e retilíneo, do captor ao aterramento. Curvas fechadas e laços aumentam a indutância e podem provocar centelhamento na própria descida. Quando for inevitável contornar saliências, as curvas devem ter raio amplo. As descidas devem ainda ser interligadas por anéis horizontais (cintas) em estruturas altas, equalizando o potencial entre elas.

Sempre que possível, aproveitam-se elementos naturais — pilares metálicos e armaduras de concreto contínuas — como descidas naturais, desde que comprovada a continuidade elétrica. Isso reduz custo e impacto estético.

Boa prática

Distribua as descidas simetricamente pelo perímetro, priorizando os cantos. Mantenha-as curtas e retas, com anéis de equalização em estruturas altas. Aproveite armaduras e pilares metálicos como descidas naturais quando a continuidade for comprovada. Caixas de inspeção no aterramento de cada descida facilitam a manutenção.

Aviso técnico

Descidas próximas a portas, janelas e locais de circulação de pessoas exigem atenção à tensão de passo e de toque; pode ser necessário isolamento ou sinalização. O percurso e a proteção mecânica das descidas no nível acessível devem seguir a NBR 5419-3.

Pedir projeto de descidas de SPDA

Como a Tecnvolt Engenharia executa esse serviço

A Tecnvolt Engenharia dimensiona o número e o espaçamento das descidas conforme o nível de proteção, distribuindo-as simetricamente e roteando-as por caminhos curtos e diretos, com anéis de equalização quando necessário. Avaliamos o uso de descidas naturais e prevemos caixas de inspeção e proteção mecânica. Atendemos a região Nordeste.

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Perguntas frequentes

Quantas descidas um SPDA precisa ter?

No mínimo duas, com o número total decorrente do espaçamento máximo do perímetro conforme o nível de proteção. Mais descidas dividem melhor a corrente e reduzem a sobretensão e o risco de centelhamento.

Qual o espaçamento entre descidas?

Como referência da NBR 5419-3, varia de cerca de 10 m (NP I e II) a 15 m (NP III) e 20 m (NP IV). Quanto mais exigente o nível, menor o espaçamento e maior o número de descidas.

Por que as descidas devem ser curtas e retas?

Porque curvas fechadas e laços aumentam a indutância do caminho, elevando a queda de tensão e o risco de centelhamento lateral. O percurso vertical, curto e retilíneo conduz a corrente ao solo com a menor sobretensão.

Pilares e armaduras podem servir de descida?

Sim, como descidas naturais, desde que sejam metálicas e tenham continuidade elétrica comprovada ao longo de todo o caminho, conforme a NBR 5419-3. Isso reduz custo e impacto estético.

Referências técnicas

  1. ABNT NBR 5419-3 — Danos físicos a estruturas (descidas: número, espaçamento e roteamento).
  2. IEC 62305-3 — Physical damage to structures and life hazard.
  3. ABNT NBR 5419-1 — Princípios gerais (níveis de proteção).

As normas são citadas pelo escopo. Confirme sempre a edição vigente junto à fonte oficial (ABNT, IEC) antes de aplicar critérios.